Espiritualidade e Sociedade



Carmen Imbassahy

>   A Religião e a Lógica

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Carmen Imbassahy
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Friedrich Ludwig Gottlob Frege, matemático alemão de Wismar, no início do século XX, estudando a lógica, concluiu que há uma enorme diferença entre o sentido de uma função proporcional e o que ela designaria. Sem contestar a lógica dita matemática, para ele, apenas as expressões ou equações matemáticas seriam os únicos exemplos de lógica exata; todas as demais considerações, apesar de lógicas, pelo simples fato de permitir que seus analisadores possam apresentar argumentos distintos, já deixaria de ser exata.

Vários são os pensadores que, baseados nestas idéias, admitem que a lógica seja uma ciência pura e, como tal, não poderia se aplicar à religião. Porém, muitos são os que não admitem nada que possa fugir à lógica, quer matemática, quer formal, daí, suporem que as religiões em si são estágios de sentimento da criatura humana, ávida de encontrar uma causa para sua existência e um Ente protetor acima de tudo que possa velar por sua alma após a morte.

Os românticos afirmam que o amor não tem lógica; os jogadores garantem que a sorte é casual e depende de fenômenos randômicos, isto é, ao acaso, também sem lógica, até o físico Werner Heisenberg, no seu princípio da incerteza, admitiu a falta de lógica das partículas que não obedeciam ao seu comando e, como tal, daí a incerteza de quais as que se afastariam da rota comandada.

Afinal, o que seria lógico e o que deixaria de sê-lo?

Lógica é uma palavra de origem grega que Aristóteles definiu como sendo o estudo do raciocínio dentro da coerência e da razão. Deve-se, portanto, a este grande filósofo a base científica da análise do raciocínio.

Todavia, dizer que religião não tem lógica é algo temerário porque a crença na existência de um Ente supremo – Deus – encontra base, até mesmo na Ciência que garante que não há efeito sem causa e o Universo é o efeito representado por uma série de fenômenos astrofísicos que, como tal, têm que possuir uma causa que os puristas chamam de “Agente Supremo” da existência cósmica.

Como a própria Ciência admite que se crie hipótese e se enuncie tese a respeito do que ainda não seja do seu domínio, pode-se, assim dizer que a Religião é a hipótese do leigo em ciência a respeito da existência de tudo e, como tal, dentro da sua lógica de compreender o desconhecido.

Curiosamente, é sempre bom lembrar que as religiões atuais têm seus esteios em crenças dos povos primitivos que, gradativamente, foram se transformando em conceitos compatíveis com as novas civilizações, algumas assaz primitivas, ainda, em nossa época atual.

A Bíblia, por exemplo, foi instituída em uma época na qual o homem julgava que tudo girasse em torno de nosso planeta, daí, a Gênese admitir que o Criador tê-la-ia feito como centro do Universo e base fundamental da sua obra e outros absurdos, todos eles fundamentados na visão restrita que o homem tinha da existência cósmica e do espaço sideral totalmente desconhecido.

Da mesma maneira, outras religiões também se fundamentavam na visão dos seus pregadores ou sacerdotes e do restrito conhecimento que tinham.

Há um enorme acervo filosófico de conceitos que tentam explicar as instalações dos dogmas e preceitos atuais, em sua grande maioria, dando-nos a idéia de que nos teriam sido transmitidos através de rituais que atualmente são conhecidos pela Parapsicologia como mediúnicos, onde o sacerdote ou o grande profeta em transe recebia a inspiração superior de Espíritos manifestos que se apresentavam como deuses ou semideuses ou mesmo, simplesmente, enviados dos deuses, pregando doutrinas e fundamentos religiosos que atualmente são consideradas politeístas porque todo Ser da corte suprema daquela seita era tido como Deus.

Nem Moisés escapou desta sanha; apenas, ele teria falado com o Deus único da sua religião para receber dele os dez mandamentos que, segundo estudiosos, não é mais do que o desdobramento dos sete preceitos do bem viver já existente àquela época.

Um desses rituais primitivos muito difundido no passado pelos povos da época foi a “dança do fogo” onde os participantes bailavam com passos cabalísticos em torno de uma pira, na adoração dos deuses ou daqueles Entes espirituais que ali se manifestavam. De caminho, praticavam a imolação e o sacrifício de infelizes adrede escolhidos, senão aleatoriamente, por simpatias ou antipatias diretas e pessoais dos grandes responsáveis pelo dito ritual.

E tudo indica que esta deve ter sido a escolha na qual se inspirou a Santa Madre Inquisição para imolar os ímpios e purificar sua alma jogando-os às labaredas das fogueiras santas – mais prováveis, de satanás – sem dúvida, não fora para acabar com os dissidentes da Igreja, ao menos para atemorizá-los e fazerem-nos se calar convenientemente.

Vários outros rituais, ainda, são praticados no presente, alguns conhecidos como macumba, despacho, trabalho do “encruzo” enfim, o candomblé e diversas outras seitas que, em nosso país, acabaram se transformando num sincretismo religioso.

Mas teria isto lógica?

Muitos são os que afirmam que tais trabalhos – ou alguns deles – funcionam, dependendo do terreiro em que sejam elaborados e que seus efeitos são os mais diversos, conhecidos como “linha branca” para o bem embora haja também quem os faça para o mal.

Se, de fato, funcionarem, há que ter lógica. Só que desconhecida pela Ciência atual. Mas seria isto religião? O termo latino, segundo os autores da antiga Roma como Cícero, Plauto, Virgílio e outros, define o estudo, o conhecimento relativo aos deuses (eles eram politeístas), sua adoração e rituais a eles dedicados; senão com esses termos, ao menos, com este sentido.

Assim, fica a critério de cada um o julgamento para também se ter tais rituais como religiosos, mas, seria preciso que não nos esqueçamos de que, justamente, tais cultos são sempre sagrados a divindades que no candomblé são representadas por personagens diversas.

Uma coisa, porém, é certa se há algo de ilógico é vermos que cada religião tem seu Deus próprio que só protege os fiéis de seu culto e que condena os demais seguidores de outras seitas, mesmo que estas tenham a provável mesma origem, como no caso das Igrejas cristãs que se baseiam e se fundamentam em O Novo Testamento.

Isto é que não tem lógica.

 

 

Fonte: http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/ARTIGOS/ArtigosGRs3/A_RELIGIAO_E_A_LOGICA_CI.html

 

 


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