Espiritualidade e Sociedade



Carmen Imbassahy

>   A Lógica do Pensamento

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Carmen Imbassahy
>   A Lógica do Pensamento


A Lógica, pela nova classificação dos estudos humanos é um Título das Ciências Filosóficas dita ciência do raciocínio e como tal ensina a buscar o conhecimento de forma correta e, assim, estuda os procedimentos e as condições do pensamento correto e do conhecimento exato, Aristóteles a classificava simultaneamente como ciência e arte; sem dúvida, Voltaire concordava com ele definindo-a como “l’art de la raison juste”.

São dois os seus ramos: a lógica formal e a lógica matemática (alguns usam o termo “exata”). Evidentemente, vários são os filósofos que entram em devaneio classificatório, indo a considerações as mais simples embora racionais, para chegarem a conclusões senão redundantes, pelo menos, quase repetitivas.

Por outro lado, sendo o pensamento o processo ou conjunto de ações usado pelo homem para imaginar a verdade em si, evidentemente, deveria estar diretamente ligado à lógica, todavia, não nos parece que isto seja obedecido já que, vendo os mesmos fatos, pessoas distintas pensam coisas diversas que os levam, por vezes, até, a conclusões antagônicas.

Na área religiosa, então, o problema é deveras alarmante já que, seguindo a mesma doutrina, podem-se encontrar interpretações inteiramente opostas a respeito de uma consideração, um lema ou até mesmo um dogma imposto.

No “Le Discours de la Méthode”, no original latino, René Descartes dizia “cogito, ergo sum” – penso, logo existo – levando-nos á idéia de que o pensamento é pura decorrência da existência ou da vida em si. O pensamento é o resultado da ação de pensar. Os vegetais existem, todavia, não pensam, pelo menos, dentro do raciocínio humano, embora tenham uma forma condicionada de se desenvolverem como se estivessem cultivando algo dentro de uma forma primitiva de imaginar, senão, como explicar a maneira pela qual eles lutam para sobrexistir!?

No domínio dos devaneios poderíamos nos adentrar por uma série conclusões e observações aleatórias que só serviriam para provar que o que os homens pensam nem sempre tem lógica e que sua diversidade ocorreria em todos os campos e direções.

Porém, o que nos leva às presentes considerações é um estudo de Voltaire contido em Lettres Philosophiques onde ele afirma que, se todo pensamento tivesse lógica, os homens não variariam em suas conclusões e Deus seria um só para todo mundo, ....caso exista (as reticências são nossas). Em seus primeiros trabalhos, o grande enciclopedista fora de uma irreverência imensa com relação à Igreja, a ponto de escrever tais frases. Já com o decorrer da idade, ficou mais brando e chegou a compor uma quadra poética enaltecendo Deus, admitindo sua existência.

É conceito geral de que religião não tenha lógica, senão, jamais precisaria da crença e da fé para estabelecer-se e manter seus dogmas sem a análise da razão.

No ocidente, onde predominam as crenças ditas cristãs, vamos encontrar uma série de igrejas diversas, cada qual interpretando seu livro sagrado – a Bíblia – à sua maneira e julgando que sua igreja é a que seja a verdadeira seguidora de Jesus que passou a ser o Cristo depois que Constantino determinou que se fundasse a Igreja romana dita católica (do grego: universal), imitando o Hinduísmo, onde Krishna é o governador do mundo ou o responsável por sua existência.

Mas o Deus bíblico é um misto de onipotência e bondade, sem dúvida, predicados que se contradizem porque, sendo o único criador de tudo, também o seria do “mal” ou do Lúcifer, o anjo rebelado que teria criado o mal contrariando a vontade (que seria suprema se não fosse contrariada) do Criador e que, como tal, deixaria de ser único na Criação.

Portanto, quem pensa de maneira cristã não usa a lógica para fazê-lo porque é incompatível com a crença, exigindo fé cega na sua aceitação. E lógica sem raciocínio não existe; até mesmo, são inúmeros que raciocinam e chegam a absurdos, a ponto de se dizer que só existe lógica no cálculo matemático porque, se o calculista não errar, o resultado será sempre o mesmo.

Sem dúvida, quando Gottlieg Frege destacou a necessidade de se aceitar uma lógica formal distinta do raciocínio exato, ele tentava mostrar que o homem poderia pensar com justeza sem necessidade do cálculo dito matemático, sem a exatidão das perfeições de uma equação que sempre leva ao mesmo resultado, seja quem a resolva.

Até hoje, os dicionaristas ainda não chegaram a uma conclusão perfeita do que possa ser formal e cada qual, em vez de definir o verbete em si, usa de considerações gerais para explicá-lo. É relativo à forma. Ambos os termos são latinos, mas, nem os clássicos autores da antiga Roma souberam defini-lo com precisão.

No meu tempo de normalista, existia uma frase que dizia: “a forma do bolo depende da fôrma”, embora, atualmente, esta última tenha perdido o acento, ela é que fazia o bolo ficar redondo ou não e, como tal, definia-se este conceito. Ser formal, portanto, é ter forma, só que o sentido muda quando se fala de “formandos” ou seja, alunos que concluem um curso ou “se formam”. A formatura, ou colação de grau, no caso, seria o conceito latino de adquirir conformação cultural. Também define um alinhamento de tropas. Tudo, contudo, tem forma.

Entenda-se, pois a forma do pensamento nem sempre com lógica, todavia, expressando a opinião do dito pensador: entra aí a lógica formal, ou seja, fruto do raciocínio, contudo, não vem a ser obrigatoriamente a lógica matemática, a precisão conclusiva correlata com o que se analisa.

Então, quando um químico conclui que o cloro e o sódio são átomos afins porque sempre se unem em qualquer reação química, a conclusão é a de que esta é uma lógica matemática do pensamento; quando o psicólogo observa determinadas reações de seus pacientes e conclui que a normalidade do comportamento representa 75% dos participantes, esta é apenas uma lógica formal considerar que uma pessoa normal é aquela que satisfaça tal condição.

E tem, ainda, a lógica racional, que depende da razão correlata com o raciocínio, mas este é outro capítulo da Filosofia humana.

Sem dúvida, portanto, ainda aí, a lógica em si depende do pensamento, embora nem todo pensamento tenha a devida lógica.

E muito se poderia falar sobre o tema, até, entrar em devaneios e fugir da lógica para a abstração que vai além do pensamento.



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Fonte: http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/A_ERA_DO_ESPIRITO_-_Portal/ARTIGOS/ArtigosGRs3/A_LOGICA_DO_PENSAM_CI.html

 

 


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