Espiritualidade e Sociedade





Vania Mugnato de Vasconcelos

>    Normal NEM SEMPRE é natural

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Vania Mugnato de Vasconcelos
>    Normal NEM SEMPRE é natural



Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm.
Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.

(I Coríntios 6:12)


Temos vivenciado profunda inversão de valores, resultante de interesses imediatistas e materiais, e de generalizada incompreensão sobre o que é natural, e o que se tornou apenas normal para o indivíduo e sociedade. Ignorar a diferença entre um e outro facilita enganos de toda espécie, pois o normal de hoje possivelmente não o será amanhã, porque imutável só a lei natural (divina). Podemos, portanto, dizer que natural é aquilo que está de acordo com as Leis da Natureza, enquanto normal é o que se tornou habitual, não causando mais estranheza.

Deus não varia de humor, nem de opinião. Suas leis são perfeitas e regem a harmonia universal, tanto no reino material quanto no espiritual, por toda a eternidade, dando estabilidade ao Universo. Mas os homens estão em processo de evolução, e necessitam, de tempos em tempos, modificar leis e regras morais que se mostram inadequadas ao progresso alcançado. O desenvolvimento intelectual e moral se faz através de experimentação, já que experimentando o homem adquire conhecimento e valores.

Falando doutrinariamente, para não incorrermos no erro dos ‘achismos’ pessoais, encontramos equívocos humanos quanto à prática das leis naturais esclarecidas em O Livro dos Espíritos.

Natural é a adoração que consiste “na elevação do pensamento a Deus”, pois através dela o homem aproxima sua alma do Criador. Normal tornou-se a ritualização da fé, sem envolver o coração.

Natural é trabalhar para viver com dignidade. Normal se tornou tentar “levar vantagem em tudo”, como se os fins justificassem os meios.

Natural é utilizar a energia sexual como fonte procriativa e laço material entre pessoas que se amam, criando intimidade e respeito. Normal tem sido o desequilíbrio da área genésica com abusos de toda espécie, que geram abortos, doenças, filhos sem pais, descontroles emocionais.

Natural é o respeito pelo organismo que nos serve de instrumento na encarnação, cuidando para que permaneça saudável. Normal tem sido o desgaste da energia vital através dos vícios, excesso de vaidade, adulterando o vaso carnal.

Natural é a destruição proceder da natureza, renovando as forças que movimentam o planeta. Normal virou matar, invadir, torturar, destruindo os que pensam diferente, tomando o que não nos pertence.

Natural é compreender que somos parte de uma sociedade mais ampla do que as divisões de estado e fé imprimem, e nos solidarizarmos uns com os outros. Normal é o egoísmo que impede o compartilhar, gerando dissensões, divisões, descaso pelo que pertence aos outros, como se isso não nos afetasse.

Natural é desejar progredir, buscando o desenvolvimento coletivo que privilegia a todos. Normal se tornou facilitar para que haja menos esforços construtivos, e mais absorção do esforço alheio.

Natural é seguir a consciência e respeitar o direito de igualdade, agindo com outros como gostaria que agissem consigo. Normal é ignorar a consciência, a qual tem gravada em si as leis morais, nos equivocando com o que parece certo, mas nem sempre é.

Natural é usar da liberdade com parcimônia, respeitando direitos e deveres. Normal tornou-se acreditar que liberdade é o abuso do direito enquanto se procura escapar do dever.

Natural é que a justiça ande de mãos dadas com o amor e a caridade, para que ninguém seja privado do necessário. Normal é que o supérfluo seja ambição da maioria, ainda que para isso deixemos morrer de fome aquele que bate faminto à nossa porta.

A liberdade que conquistamos não deve ser regida por liberalismos que se assemelham a libertinagem. Não temos que aceitar como se fosse natural, a decadência dos valores morais. É preciso, principalmente, voltar a educar moralmente as crianças, exemplificar valores aos jovens, agir com a dignidade que exige o ser cristão.

É tempo de despertar e avaliar nossas ações com a consciência isenta de interesses, a fim de decidir o melhor caminho a tomar. E nesse contexto, não há regra melhor para usar em si mesmo, do que imaginar como julgaríamos no outro, os comportamentos a que damos guarida.



Paz e Luz!


* * *

Este texto foi escrito para a 1ª Edição do JORNAL À LUZ DO ESPIRITISMO
Disponível no Site Grupo Espírita Nova Era, Semeando Esperança – G.E.N.E.S.E.


 



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