André Ricardo de Souza

>    A veracidade e conexões da obra Paulo e Estêvão

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André Ricardo de Souza
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Apresentação


O mais popular livro psicografado por Francisco Cândido Xavier, como se sabe, é Nosso Lar (1944), ditado pelo espírito André Luiz, porém o mais importante, também conforme o médium, é Paulo e Estêvão (1941), de Emmanuel. Além de conter a trajetória de Paulo de Tarso, cuja história sem a contribuição de Estêvão não existiria, apresenta com riqueza de detalhes grande parte do cristianismo, não “primitivo” – termo, por vezes, interpretado como atrasado – mas sim nascente, como afirma o próprio autor espiritual.

O primeiro e também principal texto desta singela publicação em E-book é um artigo que expõe um fato e evidências da veracidade da narração feita pelo mentor espiritual de Chico Xavier. Publicado em maio de 2021 na semanal revista de divulgação espírita O Consolador, tal artigo foi elaborado a partir do cruzamento analítico de informações contidas nas duas principais biografias do apóstolo, bem como de textos bíblicos e importantes obras espíritas, de modo a afirmar que a história contada em Paulo e Estêvão, contrariamente ao que denotam dois filmes espíritas, é integralmente real. Por esses motivos, em vez de romance (palavra que remete a ficção) tal obra deveria ser chamada de livro histórico e merece, sem dúvida, tornar-se uma produção cinematográfica, quando isso for possível e oportuno.

Uma constatação feita ao observar com atenção a trajetória de Paulo de Tarso, guiado espiritualmente por Estêvão, é o registro de um fenômeno socioeconômico que existe atualmente e que fez parte da Casa do Caminho em Jerusalém. Trata-se de um grupo de trabalho coletivo, caracterizado pela repartição dos ganhos por ele auferidos, de modo a beneficiar as pessoas atendidas e tornar aquela, que foi a primeira comunidade cristã da história, tão autônoma quanto possível da influência aristocrática judaica. Chamada por Emmanuel de“colônia de trabalho”, tal experiência surgiu da proposta do convertido de Damasco a Simão Pedro e da coleta de recursos feita por aquele ao longo dos anos, durante suas viagens missionárias. Essa forma igualitária e fraterna de organização do trabalho foi também pensada e propalada, entre o final do século XX e início do XXI, por Paul Singer, saudoso professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). Este é o tema do segundo texto, publicado originalmente em 15 de fevereiro de 2019 no boletim do Grupo Espírita Chico Xavier (GEECX).

Tal contribuição de Singer é contemplada nos outros dois pequenos textos que compõem esta publicação. Num deles, o pensamento do economista é equiparado ao do pioneiro espírita francês Léon Denis, que, tal como ele, foi um operário que se tornou intelectual e dedicou-se à reflexão e à busca de edificação do socialismo fraterno, chamado por Emmanuel (também abordado no texto) de socialismo cristão. Pela importância que atribuo ao tema desse artigo o publiquei no boletim do GEECX em 28 denovembro de 2020 e na revista O Consolador em 10 de janeiro de 2021. No segundo texto, publicado no boletim do GEECX em 22 de janeiro de 2021, o professor uspiano é colocado analiticamente ao lado de outro saudoso amigo meu, de nome Pedro Santini, que contribuiu bastante amorosamente em comunidades espíritas paulistas. Pelas características pessoais de ambos eu os associei, no texto, aos apóstolos: Paulo de Tarso e Simão Pedro.

Como sabemos, no principal livro psicografado por Chico Xavier é abordada a transição ocorrida no cristianismo de uma religião exclusivista – pois circunscrita a originais adeptos do judaísmo e homens circuncisos – a uma religião universal, aberta a todas as pessoas, independentemente de aspectos étnico-raciais ou outros quaisquer, por obra do apóstolo dos gentios. Outra transformação, de escopo maior, nos afeta e chama atenção atualmente. Trata-se da transição planetária, sendo ela explicada por Allan Kardec e Emmanuel, conforme outro texto meu publicado no boletim do GEECX, em 2 deagosto de 2020. Devido à importância desse tema e pelo fato de contemplar o pensamento do autor espiritual de Paulo e Estêvão eu inseri esse artigo também na presente publicação.

Por fim, se encontra uma entrevista que o amigo e professor de educação especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Almir Del Prette, gentilmente, fez comigo e foi publicada na revista O Consolador em 5 de julho de 2020. Nela, também faço menção a Paul Singer e, além de contar minha modesta trajetória no espiritismo e na carreira acadêmica, lanço um desafio ao movimento espírita. Embora eu não tenha mencionado Paulo e Estêvão, a salutar provocação feita nela poderia ser, de alguma maneira, sintetizada no texto de Emmanuel intitulado “Breve notícia”, que introduz aquele livro chamando atenção para a importância de os centros espíritas valorizarem a experiência do cristianismo nascente.

Além das pessoas citadas no primeiro texto deste E-book, agradeço bastante ao amigo Almir por ele ter sugerido, espontaneamente, à editora a publicação deste E-book, bem como ao coordenador dela e da revista O Consolador, Astolfo Olegário Oliveira Filho, a Flávio Mussa Tavares por também ter sugerido a publicação deste livro e ao editor do GEECX, Antonio Cesar Perri de Carvalho, pelo espaço aberto no referido boletim. O papel de todos esses confrades na presente publicação remete ao princípio da cooperação, destacado por Emmanuel no referido texto introdutório à principal obra psicografada por Chico Xavier, que está completando 80 anos e cuja grande importância, a meu ver, ainda está por ser plenamente reconhecida pelo movimento espírita.

 

André Ricardo de Souza

Outono de 2021

 

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