Cristina Helena Sarraf

>    A influência que temos sobre nós mesmos

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Cristina Helena Sarraf
>   A influência que temos sobre nós mesmos


Preocupados com o que os outros, pessoas e Espíritos, possam ter de influência sobre nós, acabamos descuidando da própria influência. O que significa isso?

Significa que no tempo que passamos cuidando dos outros para que não nos prejudiquem, estamos deixando de nos fortalecer e conhecer, a fim de vivermos melhor, com as características que nos são próprias.

Geralmente somos uns ilustres desconhecidos de nós mesmos. Mas nos imaginamos de uma certa maneira. Essa auto-imagem foi sendo construída durante os dias de nossa vida, a partir da aceitação de idéias e da opinião daqueles com quem mais convivemos. E agora ela nos veste. Vestimo-nos com ela, mas não somos assim!

Empreendemos um enorme e diuturno esforço para sermos desse jeito que não somos, afastando-nos cada vez mais de quem realmente somos. Ou seja, estamos cultivando um conflito interno que se constitui na base da insegurança.

Observemos bem esse procedimento tão comum e tão prejudicial:

1 - não nos aceitamos como somos; sentimo-nos errados; julgamo-nos cheios de defeitos;

2 - facilitamos a criação de uma auto-imagem mental negativa, acompanhada de como achamos que é ser bom, ser adequado, competente, agradável, inteligente, atraente, respeitável, como é ser filho, ser pai, ser mãe, ser esposa, marido, profissional, ser amigo, ser espírita, ser cristão, etc. etc. etc.

3 - completa a imagem, um dispositivo condenador - cobrador, uma falsa consciência, cuja finalidade é nos culpar e condenar toda vez que fugimos um pouco desse padrão, soltando-nos e agindo com mais liberdade; ele comanda nossa ação e nossa expressão, impedindo que sejam diferentes do modelo adotado;

4 - esse padrão de pessoa ideal é formado por nós e pelas opiniões que aceitamos, de outras pessoas e do meio social que freqüentamos;

5 - vestimos essa falsa personalidade e ficamos lutando para sermos desse jeito, custe o que custar. Mesmo que tenhamos que mentir, ludibriar, trair, machucar-nos, vilipendiarmo-nos;

6 - porque não ficamos idênticos ao modelito, enchemo-nos de culpas e condenações, bem como achamos que tudo está errado e que as pessoas nos prejudicam, escancarando as portas emocionais e mentais para os maus Espíritos, promovemos a infiltração fluídica negativa em partes do nosso corpo (observe e sentirá!);

7 - quanto mais ficamos inseguros, doentes, carentes, perturbados, constrangidos, sufocados e hipócritas, mais queremos ser como não somos e mais nos distanciamos de nós mesmos.


Pergunta-se:


É possível ter confiança em si, estar seguro de si, agindo dessa maneira?

É possível viver com saúde, em paz, criando harmonia, alegrias, sucesso e amor, sempre inseguros, derrotados internamente e sem auto-confiança? Sempre fingindo e se disfarçando?

Ao reconhecer essa situação, comece um processo de tomar conta de si. Domine em vez de ser dominado. Constate tudo e vá se apossando de si.

O primeiro passo é interiorizar a certeza de que você é um Espírito sem defeitos, que estando em processo evolutivo ainda não consegue a perfeição nos pensamentos e atos mas que, como Espírito, é perfeito.

O segundo passo é interiorizar que você é único, diferente de todos, pois é um indivíduo, com história espiritual própria e exclusiva, por mais que possa ter semelhanças com outros, em certas experiências e opiniões.

O terceiro passo é saber que não existe um padrão de pessoa. Isso é criação humana que só serve para nos fazer sofrer inutilmente, já que ninguém consegue ser esse padrão preconceituosamente estabelecido. O ideal é que cada um seja ele mesmo, pleno em sua integridade.

O quarto passo é perceber que a Lei de Evolução dos Espíritos funciona sem cessar e por ela nossas características serão ajustadas e melhoradas, naturalmente e pela nossa vontade de ser feliz. Mas isso não é sinônimo de ser errado ou defeituoso e sim de que, hoje, cada um é o melhor que pode ser.

O quinto passo é fazer, diariamente, junto do seu anjo guardião, um exercício de libertação e aquisição de confiança. Respiração rítmica e consciente, relaxamento e ordens mentais acompanhadas de visualização, com o seguinte teor à desprendo, solto, derreto e queimo essa falsa idéia de mim. Recuso-me a atender e a ouvir a voz que condena isso que estou fazendo, querendo por-me culpa. Afrouxo, solto, retiro e queimo extensões dessa falsa imagem que se infiltram em partes do meu corpo, descaracterizando minha natural forma de ser, sentir e me expressar. Volto, prazerosamente, ao meu natural que é belo, adequado e certo. Aprovo-me e gosto de mim sem máscaras e artifícios. Aceito-me. Apoio-me. Respeito-me. Valorizo-me como sou. Crescerei mais rápido assim!



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Fonte: Jornal do CEEM - http://www.jornalcem.hpg.ig.com.br/index.html
- http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/



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