Espiritualidade e Sociedade





Gilson Luis Roberto

>    A Atualidade Kardec frente aos novos paradigmas da ciência

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Gilson Luis Roberto
>    A Atualidade Kardec frente aos novos paradigmas da ciência



Hippolyte Léon Denizard Rivail, aquele que passaria para a história como sendo Allan Kardec, o Codificador da Doutrina dos Espíritos.

Que homem era esse que trazia em seu íntimo as inquietudes de um cientista e as profundas reflexões de um sábio a desafiar as bases do pensamento vigente da época? Que força poderosa é essa que o levaram a enfrentar os dogmas de uma época e sustentar a fé em seus ideais? Sem dúvida, um dos espíritos mais evoluídos que a terra já recebeu. Uma alma destemida e corajosa, com raciocínio límpido, capaz de enxergar mais longe, onde a visão do vulgo não consegue alcançar. Um homem profundamente humano, adiante do seu tempo. Uma grande alma em missão na Terra.

Em 1857, com o lançamento do Livro dos Espíritos, marcando o surgimento da Doutrina Espírita, Allan Kardec iniciava uma das propostas mais desafiadoras, que até hoje continua provocadora: a união entre a ciência e a religião.

Investigando a realidade do mundo espiritual, Kardec propunha a ciência como base para sustentação da fé e da religiosidade. Assuntos como reencarnação, perispírito, mediunidade, comunicação com os “mortos”, passaram a serem vistos não apenas como uma crença, mas uma realidade palpável e experimental, desacomodando os sábios da época e desafiando a ortodoxia e a cristalização do pensamento dos que acreditavam que a única realidade seria a matéria.

No decorrer da história, vemos a iniciativa de Kardec adquirindo forma e sustentação.

O pensamento cientifico passa a sofrer profundas transformações, se aproximando gradativamente da realidade espiritual.

Em 1900, no Congresso Internacional de Física, na exposição de Paris, o grande sábio indiano, Sri Jagadis Chandra Bose, bacharel em ciências pela Universidade de Londres e professor de física, deixou aturdido os congressistas com a apresentação do seu trabalho "De la généralité des phénomènes moleculaères produits par l´electricité sur la matière inorganique et sur la matière vivante", afirmando que "a unidade é fundamental entre a aparente diversidade da natureza... É difícil traçar uma linha e dizer aqui termina o fenômeno físico e além começa o fisiológico". Bose realizou diversas pesquisas comparando as reações das curvas moleculares dos metais com os músculos, descobrindo, em 1899, que os metais sofrem de “fadiga” e a sua recuperação é semelhante ao processo que acontece com os músculos dos seres humanos e dos animais. Demonstrou que as curvas apresentadas pelo óxido de ferro levemente aquecido eram, incrivelmente, semelhante às dos músculos. As inúmeras experiências realizadas evidenciaram as mesmas reações com outras estruturas metálicas. Suas descobertas foram tão impressionantes, que em 10/05/1901, à convite da Real Sociedade de Londres, Chandra Bose fez um relato pormenorizado dos seus 4 anos de estudo metódico com o estanho, demonstrando, diante da renomada e perplexa comunidade científica da época, a semelhança dos traçados deste com os dos seres vivos.

Expandindo os seus estudos para o reino vegetal, demonstrou que as reações do “castanheiro da Índia” eram em tudo idêntico às dos metais e dos músculos, evidenciando que as plantas ficavam excitadas ou deprimidas conforme os estímulos recebidos.

O cientista anestesiou plantas com clorofórmio e suas reações à anestesia e à recuperação quando levadas ao ar fresco, foram idênticas às dos animais. Bose usou o clorofórmio para anestesiar um pinheiro e replantá-lo, evitando qualquer dano a planta.

Estudando a "planta-telégrafo" (Desmodium Gyrans), cujas folhas simulam os movimentos dos braços da sinalização semafórica, Bose descobriu que o veneno que interrompe esta movimentação também faz parar o coração de um animal. O seu antídoto, em um e outro caso, restaura a vida de todos estes organismos. Todas estas descobertas e muitas outras, foram compiladas em dois volumes compactos em 1906 e 1907: "A resposta vegetal como um meio de investigação fisiológica", com 315 experiências detalhadas. Mais tarde lançou outra obra: Eletrofisiologia Comparada com mais de 321 novas experiências sobre o assunto.

Mais tarde, Clive Backster, conseguiu assombrosos resultados de suas experiências com o auxílio de um complexo e moderno laboratório, certificando-se que as plantas reagiam a ameaças concretas e potenciais, mutilações, esmigalhamentos, cortes ou aos perigos potenciais representados por cachorros e pessoas que não amam as plantas.

Na universidade de Yale, diante de um grande número de universitários, Backster realizou o "experimento da aranha", Cada reação da aranha era apreendida pela planta, provocando uma reação na folha.

Investigando as múltiplas reações das plantas, Backster viria afirmar que “talvez as plantas sem olhos consigam enxergar melhor do que nós”, atestando que os nossos cinco sentidos nos limitam e nos esconde uma percepção primária que talvez seja comum a toda a natureza.


Ameaçada por um perigo iminente a planta desmaia, "apaga" como se estivesse morta. Um caso interessantíssimo se deu no laboratório de Backster, quando ele recebeu a visita de um fisiologista canadense. As cinco primeiras plantas testadas se recusaram à demonstração dos seus dons. Backster esmerou-se na verificação da aparelhagem e em outros expedientes, em vão. A sexta planta testada pós toda esta trabalheira, corajosamente, demonstrou as suas habilidades. Intuitivamente, Backster iniciou um diálogo com o fisiologista: "Por acaso seu trabalho o força a fazer mal às plantas?"

"Sim, eu as liquido, torro-as no forno para obter o seu peso seco para minha análise”. Quarenta e cinco minutos após a saída do fisiologista rumo ao aeroporto, todas as plantas responderam aos testes de Clive Backster.


Outra descoberta foi a de que "as plantas não toleram mentiras e falsidades”, apontando o falsário através das reações às suas mentiras. O Objetivo do teste era a de provar que "tanto as plantas quanto as células individualizadas captavam sinais através de algum meio de comunicação inexplicado pela ciência".

Como experiência foram utilizados um jornalista e um filodendro. A partir da segunda pergunta, após ter revelado a data do seu nascimento de forma correta, o jornalista devia dizer sempre não às perguntas formuladas sobre a sua vida entre os anos de 1925 a 1931. A planta refutou de forma veemente, todas as falsidades ouvidas.

O psiquiatra, Dr. Aristides H. Esser, diretor do centro de pesquisas do Hospital Estadual Rocklando - Orangeburg - N. York, não acreditando nas conclusões de Backster, resolveu repetir o mesmo teste. Com o auxílio um químico, Douglas Dean, da Escola de Engenharia de Newark, realizou a pesquisa com um criador de filodendros. O filodendro refutou todas as respostas falsas através do galvanômetro fazendo com que o Dr. Esser submetesse aos fatos.

Backter demonstrou também, que existe um forte vínculo entre as plantas e quem cuida delas, independe das distâncias ou da proximidade da pessoa com a planta. Com o uso do cronômetro, pode verificar que no laboratório as suas plantas continuavam reagir aos seus pensamentos e emoções. Retornando de uma viagem de Nova York, constatou que as suas plantas manifestaram alegria pela sua volta no exato momento em que, inesperadamente, decidira voltar para casa. Todas as vezes que mostrava o retrato da Dracena em suas palestras, no imediato momento ela reagia de forma exuberante em seu laboratório.

Contando com o apoio e financiamento dado pela Fundação de Eileen Garret e com a colaboração de diversos cientistas em diversas áreas científicas, foi concebido um elaborado sistema de controles experimentais que consistia em "Matar células vivas com um mecanismo automático, num momento casual em que ninguém se encontrasse no escritório ou adjacências e ver como as plantas reagiam."

Foram escolhidos para as pesquisa camarões de água salgada em estado ótimo de vitalidade, já que havia evidências que o tecido doente ou moribundo não responde aos estímulos remotos e não transmite mensagens. Os camarões foram colocados em uma tigelinha que os despejariam, automaticamente, numa panela de água fervendo através de um dispositivo mecânico acionado ao acaso para impedir que Backster e seus auxiliares soubessem a hora exata da ocorrência.

Foram usadas outras tigelas sem camarões para controle e tomada todas providências para um controle rigoroso da experiência.

As plantas selecionadas foram espécies da família philodendrum cordatum, outros espécimes desta família seriam submetidos também a testes sucessivos.

As plantas reagiram sincronicamente ao afogamento dos camarõezinhos na água fervente. Cientistas examinaram o sistema automatizado que lhes revelou que essa reação das plantas se processou de forma consistente na proporção de cinco para um contra a possibilidade do "acaso".

E experiência demonstrou que existe uma percepção primária na vida das plantas que respondem ao extermínio da vida animal, comprovando que a percepção das plantas funciona independentemente do envolvimento humano.

Em 1968 foi publicado um ensaio científico no volume X do The International Journal of Parapsycology, com o título: "Evidência sobre a percepção primária na vida vegetal", abrindo o espaço para que outros cientistas repetissem os mesmos resultados. Vinte universidades e sete mil pesquisadores chamaram a si esta verificação e algumas fundações se ofereceram para propiciarem o financiamento das pesquisas.

As conclusões de Clive Backster revolucionou o pensamento científico, fundamentando, com bases experimentais, a existência de uma percepção extra-sensorial (PES), não limitada aos cinco sentidos.

A revista "Medical World News" de 21/03/1969, em seu texto principal, afirma que as pesquisas sobre PES encontravam-se na eminência de conquistar a respeitabilidade científica que os estudiosos dos fenômenos psíquicos procuram em vão, desde 1882, quando foi publicado em Cambridge a Sociedade Britânica de Pesquisas Psíquicas.

William M. Bondurant da Fundação Maru Reynolds Babcock afirmou: "Seu trabalho indica possível existência de uma forma primária de comunicação instantânea entre todos os seres vivos, a qual transcende as leis físicas atualmente conhecidas por nós, e isso merece uma investigação mais cuidadosa", e ofereceu dez mil dólares de ajuda para o financiamento das pesquisas.

Até hoje, sabe ao certo o meanismo de comunicação que leva às plantas os sentimentos e idéias de um ser humano. O Dr. Howard Miller, citologista em Nova Jersey, opina por uma "consciência celular" comum a toda vida. Baseado nesta opinião abalizada, Backster pesquisou uma forma de conectar eletrodos a diferentes tipos de células: amebas, paramécios, levedo, culturas de mofo, raspas da boca humana, esperma. A inteligência e sagacidade maior foram demonstradas pelas células do esperma. As células foram capazes, até, de identificarem os seus doadores ignorando a presença de outros. "O resultado obtido leva à hipótese de que "uma espécie de memória total" possa integrar a simples célula. Sendo assim, talvez, o cérebro seja apenas um mecanismo comutador - e não necessariamente um órgão de armazenamento de lembranças." Tompkins e Bird.

Na atualidade, temos as pesquisas realizadas com cães que sabem o momento exato da chegada dos seus donos.

Somos influenciados por outras formas de comunicação até então desconhecido pela ciência. A natureza possui uma percepção extra-sensorial que nos permite nos comunicar em níveis além daqueles conhecido pelos sentidos materiais.

Essa capacidade perceptiva não parece interromper-se ao nível celular. É provável que desça ao molecular, ao atômico e mesmo ao subatômico.

A ciência dá um passo enorme em direção as teorias religiosas do oriente, demonstrando que todo o Universo funciona como uma grande rede onde tudo se toca, tudo influencia em tudo.

Isso nos leva ao trabalho de Edgar Morin sobre a epistemologia da complexidade lembrando Pascal que há três séculos já afirmava: “Todas as coisas são ajudadas e ajudantes, todas as coisas são mediatas e imediatas, e todas estão ligas entre si por um laço que conecta umas às outras” e concluindo que nada está realmente isolado no Universo e tudo está em relação.

Backster prosseguiu e aprimorou o seu equipamento, com a aquisição de eletrocardiógrafos e eletroencefalógrafos que produziam leituras muito mais aperfeiçoadas do que as obtidas através do polígrafo e 10 vezes mais fiéis.

Favorecido por um “acaso”, novo campo de análise se abre. Quando Backster tratava seu cachorrinho, no momento em que quebrava a casca de um ovo cru, uma das suas plantas (que estava "ligada"), reagiu de forma vigorosa. Backster repetiu a dose no dia seguinte e obteve o mesmo resultado. Nove horas se passaram com ele elaborando gráficos pormenorizados, desta vez, tendo os eletrodos ligados no ovo. Obteve-se a freqüência situada entre 160 e 170 batidas por minuto: correspondente à batida do ritmo cardíaco de um embrião de galinha com três ou quatro dias de incubação. O interessante é que o ovo não estava fecundado. Dissecando o ovo, Backster verificou que ele não possuía estrutura física circulatória alguma que correspondesse àquela estranha pulsação. "O ovo parecia “ir ter" a um campo de força situado além do nosso conhecimento científico”.

Na escola de Medicina da Universidade de Yale, Backster descobriu experiências surpreendentes com plantas, árvores, seres humanos e células, feitas nas décadas de 1930 e 1940 pelo falecido Professor de anatomia Harold Saxton Burr e que foram incompreendidas por todos nas épocas em que ele as descobriu.

Os estudos do professor Burr levou-o a identificar a existência de campos eletrodinâmicos envolvidos nos processos de organização dos seres vivos, o que ele chamou de "campos organizadores" da vida, sustentando que eles vêm em primeiro lugar dispondo os átomos e as moléculas do organismo em crescimento para que modelem na forma adequada.

Já conhecido no passado, esse princípio foi chamado pelo fisiologista francês Claude Bernard de "idéia diretriz", Hans Driesch denominava de "Intelékia", Spehmann de “campo embriônico e Paul Weiss de “campo biológico”. Na atualidade a investigação de campos organizadores nos processos biológicos conta com a pesquisa de diversos estudiosos, entre eles os estudos do professor G.D. Wassermann, do Departamento de Matemática do King´s College de Durhan, Inglaterra e do naturalista Rupert Sheldrake com os chamados “Campos Morfogenéticos”.

Está lançado as bases para o entendimento de uma realidade que está por trás do corpo material, sustentando este.

Se existe um “campo” que preside a forma material, conduzindo o processo biológico, é necessário que exista “algo” que produza o campo: o perisipírito.

Homem é um espírito, constituído de um corpo mais denso: o corpo físico, e por um corpo menos denso, formado por uma matéria quitenssenciada, chamado de corpo espiritual ou perispírito, conhecido por alguns como corpo bioplasmático ou bionergético.

O perispírito é o elo de ligação entre o espírito e o corpo, sendo responsável por inúmeras e complexas funções, uma delas é de ser a matriz espiritual do corpo físico, orientando a embriogênese. O que o eminente pesquisador brasileiro, Hernani Guimarães Andrade, denominou Modelo Organizador Biológico.

Esse princípio organizador tem a capacidade de orientar e vitalizar o corpo físico através do chamado Campo Morfogenético.

Essa abordagem passa a ser reforçada por iminentes estudiosos, como o do cientista e engenheiro mecânico Itzahk Bentov, autor do livro “À Espreita do Pêndulo Cósmico”, que chamava esse processo de “holograma eletromagnético”, "Confirmando a idéia de que a nossa matéria (nossos corpos vivos) é mantida junta, coesa, por meio de um padrão de interferência quadridimensional".

Utilizando um voltímetro muito sensível ligado a membrana de um ovo de galinha, através de pequenas janelas cuidadosamente abertas na parte superior e inferior, Bentov registrou cargas positivas em cima e negativas em baixo. No caso de um ovo não fertilizado, essa voltagem terá um valor constante de 2,40 milivolts. Abrindo mais duas janelas na lateral do ovo, uma oposta a outra, constataremos que não existe nenhuma diferença de potencial, demonstrando a existência de um campo elétrico "disposto ao longo do eixo maior do ovo e que, pelos lados leste, se volta sobre si mesmo".   

O ovo da galinha é a analogia perfeita entre o macro e o micro, segundo Bentov. No ovo da galinha está refletida estrutura do universo. Bentov fala sobre o ovo não fertilizado e sobre o fecundado. Neste ovo, a espinha do pintinho irá se desenvolver ao longo da linha do campo de organização da vida.

A consciência, a inteligência e a vida sempre estiveram juntas, ligadas entre si e sempre estiveram presentes em toda a parte... Nós, seres humanos, somos unidades de consciência compondo uma consciência maior e vivemos em universos modulares - o material e o imaterial. "A forma do nosso modelo do universo e do fluxo de matéria dentro dele lembra muito a forma dos campos elétricos que circundam uma semente e um ovo." - I. Bentov.

Essa visão conectiva é reforçada pelo físico teórico Amit Goswami, descrita em seu livro “O Universo Autoconsciente”, sendo um dos expositores durante o Congresso Médico-Espírita promovido pela AME-Brasil ocorrido em julho de 2003 na cidade de São Paulo.

Na mesma época que em que o físico Jagadis Chandra Bose (descrito no início deste texto) produzia as suas reflexões, Rontgen descobre os raios X em 1895, feito pelo qual ganhou em 1901 o prêmio Nobel de Física, dando inicio ao surgimento da física atômica e nuclear, precursoras da física quântica.

Em 1897 Thomson infere que partículas estavam saindo do tubo de raios catódicos de Rontgen e que tais partículas eram menores que o átomo, causando uma "rebelião" no meio científico, que não aceitava isto como possível.

Quarenta anos antes, através do Livro dos Espíritos, na parte 1ª - Capítulo II, onde trata da propriedade da matéria, encontramos afirmativas que antecederam a comprovação da física.

Em 1900, Max Planck promoveu o início da evolução na física enunciando a Teoria dos Quanta.

Quanta é uma palavra latina, plural de "quantum". Os "quanta" são pacotes de energia associados a radiações eletromagnéticas. Max Planck, prêmio Nobel de física em 1918, descobriu que a emissão da radiação é feita por pequenos blocos ou "pacotes" de energia descontínuos.

A descontinuidade da emissão das radiações rompeu com o determinismo matemático e absoluto da física clássica.

Ainda neste período temos Rutherford estabelecendo um conceito de átomo mais moderno que o "indivisível", assessorado por Hans Geiger e complementado por Niels Bohr.

Hasennoehrl (Austríaco), em 1904, consegue "pesar" um foco de luz e estabelecer uma relação matemática para ele, mostrando que a energia é igual ao produto da massa dos quanta pela velocidade da luz elevada ao quadrado.

Einstein prova que a relação de Hasennoehrl não era válida somente para a luz e sim se aplicava a toda matéria ao se transformar energia, o que ocorreria quando atingisse a velocidade da luz. Sob tal velocidade, a gravidade seria infinita, o comprimento da matéria tende ao infinito e o tempo para. Em resumo, impossível para a matéria atingir velocidades superiores a da luz, pois esta se transformaria em energia pura antes disto.

As descobertas de Einstein, com a conseqüente Teoria da Relatividade, passaram a demonstrar não mais um universo físico, mas um universo completamente energético. Surge o pensamento de Einstein, referendado por André Luiz que matéria é energia coagulada.

Os fenômenos da física nuclear, desde a transformação da matéria em energia aos demais fenômenos decorrentes, exigiram o aparecimento de novas concepções físicas. Surgiu, então, a mecânica quântica, que tem por finalidade investigar a dualidade onda-corpúsculo ou matéria e energia.

Aparece o princípio de Incerteza de Heisenberg. Tornou-se evidente, para as ciências físicas, que determinados fenômenos ocorrem pelo fato da matéria em determinados momentos se expressar como onda e em outros como corpúsculo; ora é energia ora é matéria densa. Assim a natureza ondulatória da luz explicaria a propagação das ondas de Raio X enquanto que a natureza corpuscular desta mesma luz explicaria os fenômenos do efeito fotoelétrico.

David Bohm, considerado um dos maiores físicos especulativos do mundo, reconhecido pelas suas importantes contribuições dentro da física quântica e da relatividade, sugere que vivemos num mundo multidimensional, onde o nível mais superficial e óbvio é o mundo tridimensional dos objetos, espaço e tempo, o que ele denomina ordem explícita. Esse mundo tridimensional oculta uma dimensão mais profunda, fonte de toda a matéria visível de nosso universo espaço-temporal, chamado de ordem implícita, o fundo abrangente de nossas experiências físicas, psicológicas e espirituais.

A Terra se converteu num reino de ondas e raios, correntes e vibrações.

As conquistas no campo da física produzem profundas modificações na visão de mundo e de homem, influenciando o pensamento em todas as áreas do conhecimento humano.

O corpo humano não é mais que um turbilhão de estruturas atômicas, regido pela consciência.

Cada corpo tangível é um feixe de energia concentrada. A matéria é transformada em energia, e esta desaparece para dar lugar à matéria.

Os cientistas, erguidos à condição de investigadores da verdade, tornaram-se, sem o desejarem, sacerdotes do Espírito. Debruçados sobre a matéria, esta desaparece, dando espaço para percebermos a manifestação da Inteligência que a sustenta, através da ordem e da beleza.


A matéria se torna a maior prova do imponderável, manifestação do aspecto imanente do Criador, que transcende a tudo e a todos.

A eletricidade e o magnetismo, o movimento a atração palpitam em tudo.

Mergulhados no Pensamento Divino, vivemos num oceano de ondas e vibrações, onda cada criatura com os sentimentos que lhe caracterizam a vida íntima emite os raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica, influenciando e sendo influenciado por outras mentes.

O esforço de pesquisadores no campo da espiritualidade, como Ernesto Bozzano, Willian Crookes, Aksakof, Oliver Lodge e Alfred Russel Wallace passam a ser recompensados através das conquistas da atualidade.

A medicina não consegue ficar indiferente a essas verdades. A reencarnação passa ser matéria de pesquisa por eminentes estudiosos como os trabalhos de Hamendras Nath Banerjje, Hernani Guiamarães Andrade e as pesquisas desenvolvidas pelo autor do livros “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação” e “Cases of Reincarnation”, Dr. Ian Stevenson, professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Virgínia, EUA, sobre as marcas de nascença e defeitos congênitos relacionados a experiências vividas no passado publicadas no seu livro “Reincarnation and Biology”.

Médicos passam a investigar a continuidade da vida após a morte. Várias pesquisas e publicações são realizadas sobre as Experiências de Quase Morte, Visões no Leito de Morte e Experiências Fora do Corpo. Entre esses trabalhos destacamos os realizado pelo cardiologista Michael Sabom, do pediatra Melvin Mose, dos psiquiatras Raymond Jr. e Elizabeth kübler-Ross, além dos psicólogos Kennneth Ring e Margot Grey.

A medicina reconhece oficialmente práticas terapêuticas assentadas na existência da energia vital como a homeopatia e a acupuntura, além de recomendar o estudo do magnetismo e da hipnose como formas tecnicamente aceitáveis.

Entre as abordagens terapêuticas ressaltamos a Psicologia Transpessoal e da Terapia por Regressão de Memória, que através dos estados alterados de consciência buscam atingir os níveis mais profundos das causas patológicas, inclusive ligadas a vidas anteriores.

A ciência vem rompendo velhos paradigmas e estremecendo as bases materialistas.

Dentro da Biologia, outro grande pesquisador que vem revolucionando o pensamento científico é o biólogo contemporâneo Humberto R. Maturana Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958). Nasceu no Chile. Estudou Medicina (Universidade do Chile) e depois Biologia na Inglaterra e EUA. Como biólogo, seu interesse se orienta para a compreensão do ser vivo e do funcionamento do sistema nervoso, e também para a extensão dessa compreensão ao âmbito social humano. Atualmente vem trabalhando como professor da Universidade do Chile onde criou o Laboratório de Epistemologia Experimental.

Maturana é criador da Teoria da Autopoiese, junto com o também biólogo Francisco J. Varela, recentemente falecido, Ph.D. em Biologia (Harvard, 1970). Nasceu no Chile. Depois de ter trabalhado nos EUA, mudou-se para a França, onde passou a ser diretor de pesquisas do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas) no Laboratório de Neurociências Cognitivas do Hospital Universitário da Salpêtrière, em Paris, além de professor da Escola Politécnica, também em Paris.

Na década de 50 Maturana trabalhou com o pioneiro da epistemologia experimental Warren McCullouch, e desenvolveu vários trabalhos de ruptura na área de neurofisiologia da percepção. Publicou inúmeros artigos em revistas especializadas, explorando as implicações da teoria da autopoiese em áreas tão diversas quanto a terapia de familia, a ciência política e a educação. É autor dos livros Autopoiesis and Cognition e The Tree of Knowledge (ambos em parceria com Francisco Varela), Origen de las Especies por Medio de la Deriva Natural (em parceria com Jorge Mpodozis), El Sentido de lo Humano, Emociones y Lenguaje en Educacion y Politica, La Democracia como una Obra de Arte, Amor y Juego: Fundamentos Olvidados de lo Humano (com Gerda Verden-Zoller), dentre outros.

No livro “A Árvore do Conhecimento”, considerado como um clássico, os autores demonstram através de evidências concretas, utilizando vários exemplos e relatos de experimentos, que vida é um processo de conhecimento onde compartilhamos com os outros seres vivos o processso vital, construindo o mundo em que vivemos ao longo de nossa existência e também por ele sendo construído. Esse processo é chamado de biologia da cognição.

Tudo isso compõe hoje uma ampla bibliografia, espalhada por áreas tão diversas como a biologia, a administração de empresas, a filosofia, as ciências sociais, a educação, as neurociências e a imunologia. Em 1995 Maturana foi premiado pela Academia de Ciências do Chile em reconhecimento ao conjunto de sua produção intelectual.

Para Maturana, os sistemas vivos são determinados estruturalmente, de modo que tudo o que lhes possa acontecer a qualquer momento depende de sua estrutura. O que nos interessa mais de perto ainda é a idéia de que todo agente que incide sobre tais sistemas determinados estruturalmente não faz mais que desencadear mudanças; estas mudanças são determinadas nos próprios sistemas. Sistemas autopoiéticos são sistemas "auto-organizantes" e caracterizados por três aspectos principais: autonomia, circularidade e auto-referência. Estes conceitos expressam a capacidade autônoma da vida de conduzir sua própria preservação e desenvolvimento, e inclusive de gerar a si própria (autoproduzir-se).

As bases dessas conclusões resultam de pesquisas neurológicas, uma delas com a percepção visual das cores. Maturana compreende a atividade das células da retina em termos da circularidade interior, desvinculando a atividade das células do estímulo cromático exterior. É a estrutura da retina que determina a atividade da retina, e não o estímulo externo. Enfim, as imagens (representações) criadas pelo sistema nervoso são, na verdade, expressões ou descrições de sua própria organização e, assim, a experiência sensorial da realidade deixa de ser uma representação da realidade e passa a ser uma configuração, uma "especificação" da realidade.

O pensamento de Maturana vem influenciando a abordagem evolucionista e social. Contrapondo a visão evolucionista de Darwin baseada na competição, onde homem seria naturalmente ou inerentemente competitivo através de uma determinação biológica, as teorias de Maturana demonstram que a natureza e o ser humano seriam, em si, ao mesmo tempo, competitivo e cooperativo. A evolução se dá por cooperação e não por competição. Quando um ser evolui, ele favorece toda a sua espécie, abrindo espaço para que outros se beneficiem de suas conquistas, favorecendo e aprimorando a vida. A cooperação está na constituição do humano.

Analisando as funções básicas de uma ameba: reprodução, nutrição e relação, fica claro que a função mais importante é a da relação. Tanto a reprodução como a nutrição dependem da capacidade que se tem de se relacionar com o meio e com o outro.

Dentro dessa abordagem, o sistema imunológico não é mais visto apenas como um sistema de defesa, mas de relação. A resistência imunológica está na capacidade de sabermos nos relacionar com o mundo externo e com o nosso próprio mundo interno. Quando essa relação não vai bem, se desfaz o equilíbrio, favorecendo o surgimento das doenças contagiosas ou auto-imunes.

Quem consegue evoluir mais é aquele que consegue se relacionar melhor! O egoísmo e o fechamento em si mesmo impede as trocas afetivas e intelectuais que nos permitem aprimorar os nossos valores pessoais.

A natureza vem demonstrar que a ordem natural é a da fraternidade, para onde necessariamente caminharemos como expressão evolutiva da nossa essência divina.

A teoria evolucionista também recebe importante colaboração a partir da Teoria do Planejamento Inteligente através dos trabalhos como do bioquímico Michael Behe que demonstram um princípio teleológico através do planejamento intencional.

Os irmãos e físicos Igor e Grischika Bogdanov demonstram matematicamente a impossibilidade estatística de que a célula viva tenha surgido por acaso.

O pensamento evolucionista só se completará quando visualizar o processo dentro do plano físico e extra-físico, compreendendo os fatores materiais e espirituais envolvidos.

Estudiosos como o físico Fritjof Capra e o químico Iliya Prigogine, ganhador do prêmio Nobel de química em 1977, chamado “poeta da termodinâmica” e conhecido por sua crítica a ciência clássica de ter esquecido a interioridade da natureza, fazem parte, entre outros colaboradores, do grande esforço na superação do paradigma mecanicista e reducionista.

O estudo da resposta imunológica permite visualizar a influência das emoções em nosso organismo.

Hoje, através da psiconeuroimunologia, a medicina consegue identificar a relação das reações emocionas com as respostas a nível do sistema nervoso, endócrino e imunológico. Todas as nossas emoções provocam algum tipo de reação em nosso campo fisiológico, liberando substâncias neuroquímicas e hormonais que vão modular a resposta imunológica.

A nossa subjetividade, os nossos valores simbólicos, ou seja, a nossa realidade espiritual tem a sua correspondência material a se expressar em nosso cérebro e por todo o nosso corpo. As imagens que criamos e as emoções que sentimos, todas as expressões de nossa mente, atuam sobre o nosso cérebro provocando alterações significativas em nosso organismo. Idéias e imagens repetidas, emoções vividas com intensidades ao longo da vida são capazes de gerar saúde ou doenças. A mente possui um poder incalculável. Como expressão do espírito é nela que residem as causas das dores ou das alegrias. É através dela que enxergamos a realidade externa e identificamos as experiências internas. Quanto maior for estabilidade, a limpeza e a clareza mental, maior é capacidade de percebermos a realidade evitando o engano que gera o sofrimento.

Já é bem conhecido o relato da pesquisa onde uma equipe de pesquisadores exibiu a um grupo de pessoas uma fita de vídeo de 15 minutos sobre a madre Teresa de Calcutá trabalhando com pacientes leprosos. A um outro grupo foi mostrada uma fita sobre os horrores dos campos de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ao final da exibição, todos fizeram um exame para medir o nível de imunoglobulina A. Os resultados nas pessoas que assistiram ao vídeo da madre Teresa mostraram que o nível dos anticorpos, de modo geral, se elevou e se manteve alto por seis horas. No grupo que assistiu ao filme da guerra, a imunoglobulina A diminuiu, deixando todos mais propensos a contrair uma gripe ou resfriado.


Através de equipamentos radiológicos de última geração como o Spect ou o TEP, a medicina consegue mapear o cérebro, identificando as áreas em atividades provocadas por um estado emocional ou por alguma outra atividade como a meditação e a oração.

A ciência médica já reconhece o poder da fé e da oração como instrumentos valiosos no processo de cura.
O Dr. Hebert Benson em seu livro “Medicina Espiritual”, faz impressionante relatos das pesquisas realizadas em Harvard no uso da meditação e do relaxamento no controle de doença como a hipertensão, além de afirmar que os recursos da fé são fundamentais na cura das doenças, devendo ser um importante instrumento de apoio ao médico.

Algum tempo atrás se ouvia que a religião estava fadada a morrer, a ciência mataria a fé! Embora a surpresa de muitos, observamos em plena era dos confortos tecnológicos e do avanço da ciência, uma busca desenfreada da religião, com surtos de misticismo e excessiva crendice favorecendo a exploração e desviando a verdadeira finalidade transformadora da religiosidade. Recordando a afirmativa de Freud que tudo aquilo que é reprimido acaba saindo pela porta dos fundos. A religiosidade e a espiritualidade devem ser vista pela medicina e pela psicologia como algo inerente a natureza humana, fazendo parte fundamental do psiquismo humano, como é a inteligência e a sexualidade, merecendo a mesma atenção e cuidado. Devemos olhar para a religião buscando os altos valores que a ela estão reservados, colaborando para o entendimento da vida e de seu fundamentos em busca de uma espiritualidade que nos faça melhor e mais humanos.

Não é se sem motivo que Einstein afirmou: “Sustento que o sentimento religioso cósmico é a mais forte e mais nobre motivação da pesquisa científica”.

Chegamos aos dias de hoje relembrando Kardec. Além de sua profunda visão da vida, destacamos a postura séria, metódica e honesta que sempre pautaram a sua tarefa, aliada a uma atitude de profunda humildade, sinceramente preocupado em não personalizar a obra que conduzia. Qualidades incomuns em nossa ciência, excessivamente preocupada na satisfação do ego.

Hoje a humanidade entende um pouco mais os seus anseios. Já conseguimos visualizar algo de sua de percepção atilada, compreendendo que uma nova realidade pode ser construída.

Sonhamos com um futuro, onde a ciência e a fé se entrelaçam a serviço do bem comum.

Por isso, de olhos voltados ao infinito, agradecemos pelas bênçãos colhidas através do esforço do seu trabalho.

Obrigado, Senhor pelas verdades trazidas por teu apóstolo, recordando os valores do teu Evangelho!

Agradecemos os corações que despertaram para fé e converteram as mãos em fontes de caridade e esperanças, repartindo para si as dores dos seus semelhantes.

Agradecemos por todas as mães que entregaram os seus filhos aos braços da morte, e conseguiram enxugar os seus prantos de dor e saudades através dos hinos da imortalidade que escutaram.

Agradecemos pelos bálsamos de conforto e paciência nos momentos de dificuldades e angústias.

Obrigado Senhor pelo entendimento das leis que regem a vida e que nos permitem entender as causas do sofrimento humano, rompendo com as barreiras sociais e nos colocando como irmãos em uma só grande família.

Obrigado por aqueles que superaram o desespero e conseguiram vencer os labirintos da delinqüência; por aqueles que te buscaram nas horas de solidão escapando das malhas do suicídio; por aqueles que ouviram o teu pedido de perdão e superaram as mágoas e os sofrimentos.

Obrigado pelas mensagens consoladoras que fluem da espiritualidade em mananciais de conforto aos nossos corações; pela cura do corpo e pela necessidade que temos de buscarmos a cura da alma.

Obrigado pelo socorro aos obsedados que foram afastados da loucura; por aqueles que apreenderam a acreditar na vida, confiando e lutando, servindo e abençoando.

Acima de tudo Senhor, agradeço pela oração que me conforta, pela fé que me sustenta e por crer em ti.

 

Bibliografia
1. BENSON, Hebert. Medicina espiritual. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
2. BENTOV, Itzhak. À espreita do pêndulo cósmico. A mecânica da consciência. São Paulo: Ed.Cultrix, 1988.
3. CAPRA, Fritjof. O ponto de Mutação. São Paulo: Ed. Cultrix, 1982.
4. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 77º edição.
5. MATURANA, Humberto. Cognição, ciência e vida cotidiana. Editora UFMG, 2001.
6. MATURANA, Humberto e Varela, Francisco. A árvore do conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Ed. Palas Athena, 2002.
7.NOBRE, Marlene. A alma da matéria. São Paulo: FE, 2003.
-. O clamor da vida. São Paulo: FE, 2000.
8. SCHNITMAN, Dora Fried (org.) Novos paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
9. TOMPKINS, Peter e Bird, Christopher. A vida secreta das plantas. São Paulo: Expansão Cultural, 1978.
10. WEBER, Renée. Diálogo com cientistas e sábios – a busca da unidade. São Paulo: Ed. Cultrix, 1986.

 

Fonte: http://www.amergs.com.br/artigos/index.php?a=10

 

 



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