Espiritualidade e Sociedade





Paulo Milhomens


>   Aspectos científicos sobre a mediunidade


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(trecho inicial)

 

Aspectos científicos da mediunidade e a necessária instrução política para os trabalhos mediúnicos entre os espíritas


1) Relação histórica da mediunidade como efeito físico comprovado

A relação metafísica na vida humana remonta milhares de anos no passado. Quando os primeiros primatas predecessores do homo sapiens sapiens surgiram sobre a terra, sua ligação com o "eu" dimensional, extra-físico, já era uma característica pertinente numa mente bastante rudimentar. A imaginação só pode ser exercida com o emprego da fantasia experimentada, isto é, cultos e características míticas dotadas de intenções capazes de evocar o recôndito do invisível. A evolução do espírito humano está relacionado às suas diferentes etapas evolutivas pregadas por Charles Darwin na teoria evolucionista.

Diferentes espécies, como os Ramaphitecos, Australophitecos, Neanderthal e Cro-Magnon, para citar alguns exemplos, existiram e deram sua contribuição biológica até o aparecimento do humano como único membro dessa ancestralidade. Com o advento da agricultura e a sedentarização, a estruturação tribal e cultural (religião, hierarquia e clãs), o ser humano passou a concentrar melhor sua ligação com o invisível desconhecido. As ervas naturais utilizadas como remédios, a melhoria do corpo do guerreiro para a guerra, a cópula da procriação e as previsões do Xamã foram as técnicas iniciais para trazer os mortos ao mundo dos vivos. Muitos ao partir, continuaram a cuidar dos animais e plantas, outros dos minerais e das águas, como guardiães da ordem e do equilíbrio na natureza. Freqüentemente eram trazidas pelos pajés – os rituais e o xamanismo politeísta das etnias africanas e americanas – , encontram seu paralelo na busca da resposta: era preciso encontrar no princípio imaterial a junção certa na conduta individual e coletiva. A divindade estava materializada através do sol e da lua, expoentes máximos de beleza e mistério. É a partir desta fase, que a vida humana passa a ter contornos diferenciados na sua relação existencial, modificando a forma de pensar com experiências curiosas, resultando na linguagem desconhecida nas gravuras estranhas e incontestáveis dos curas tribais. Portanto, como podemos ver, o desenvolvimento da mediunidade – uma capacidade psico-física – transcende períodos imemoriais e é puramente orgânica. Não é fruto do intelecto mental, mas pode ser melhorada por este. E só através dele, adquire uma dimensão reguladora e auxiliar dos problemas universais. Mas não basta apenas o controle e a investigação necessária se não houver o desenvolvimento moral necessário. O espírito só alcança o estágio ideal quando exerce duas funções: moral e intelectual. Em diferentes sociedades, sempre foi difícil estabelecer essas duas virtudes, embora ainda sejam imaturas no planeta. Uma prova disso é o desenvolvimento tecnológico utilizado para a guerra. O homem sempre guerreou para sobreviver, sempre desempenhou conduta opressiva sobre seu semelhante. Sua vida é resultado da luta. A luta pela sobrevivência ganhou contornos que envolvem o domínio. Os Estados geográficos definidos surgem através da posse – e posteriormente das armas. Dominar outro ser humano requer a Arte da Guerra, como previra Maquiavel, mas não é a característica adequada aos homens de bem, pois suas medidas deflagram resultados inesperados: a destruição.

 

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