Mauricio Mendonça

>   Regressão de Memória. Características

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Mauricio Mendonça
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Quando o Cel. Albert d`Rochas, engenheiro militar, publicou no início do século XIX, o seu mais conhecido livro, “As Vidas Sucessivas” não sabia que estava de certa forma colaborando com um trabalho maior que era o estabelecimento do espiritismo, enquanto ciência.

Assim como ele, Allan Kardec também tinha conhecimento do “magnetismo animal”, evidentemente a tarefa já grandiosa, de codificar o espiritismo, não permitiria uma outra especialização, além do estudo da mediunidade. A reencarnação, tomada como hipótese cientifica na codificação, revertia-se em objeto de pesquisa experimental.

A partir do último quarto do século XX, psicólogos de várias partes do mundo começaram a observar que seus pacientes em estado alterado de consciência podiam dar informações sobre personalidades que seriam suas pretensas reencarnações. Perceberam também, que ao “relembrar” de determinados fatos e sentirem as emoções associadas a essas “lembranças”, muitos dos sintomas clínicos do paciente desapareciam ou diminuíam consideravelmente, como em um processo de catarse. A despeito de suas formações acadêmicas materialistas, muitos passaram a utilizar essa “tecnologia” como instrumento de trabalho. Importante se diga, que essas pretensas lembranças, por si só, não comprovam a reencarnação visto que podem ter outras explicações, mais ou menos razoáveis.

Também nessa época o professor Hermínio C. Miranda, publicou “A Memória e o Tempo” onde faz um estudo recapitulando as pesquisas do Cel d’Rochas, analisa as conclusões de alguns pesquisadores e faz outras importantes considerações observadas em casos pesquisados por ele. Muitas das conclusões incluídas nesse artigo são baseadas em suas análises e outras em minhas próprias experimentações.

Definição

Regressão de Memória é o processo provocado ou espontâneo, por meio do qual, o espirito encarnado ou desencarnado fica em condições de retornar ao passado, na vida atual ou em existências anteriores, próximas ou remotas. A definição acima é bem ampla, e está assentada nos preceitos básicos da doutrina espírita, sem no entanto ser uma criação desta, e nem oriundas de uma revelação transcendental revestidas de caráter místico ou dogmático. Antes é um fenômeno natural que pode ser pesquisado utilizando métodos e técnicas apropriadas. Como fato natural o fenômeno de regressão de memória obedece a leis e não a dogmas ou princípios religiosos.

Como funciona

O paradigma espírita nos permite desenvolver um modelo teórico simplificado para explicação do fenômeno. Segundo HCM para conseguirmos obter a sua ocorrência, devemos utilizar alguma técnica que provoque o desdobramento do períspirito e por conseguinte um estado alterado de consciência. Essas técnicas variam desde a utilização de determinadas drogas até a hipnose. Um dos métodos mais simples é a aplicação de passes magnéticos. Nesse estado, a consciência tem acesso a informações armazenadas fora do cérebro físico, as chamadas memórias extra-cerebrais.

De acordo com pesquisas feitas até agora e pelo pouco conhecimento que temos do funcionamento da mente parece-nos indicar que pelo menos algumas das “lembranças” podem ser na realidade pseudo-lembranças. Certos experimentos demonstram a possibilidade de falsas memórias serem “implantadas” através de hipnose ou auto-sugestão, mesmo em se tratando da vida presente. Por enquanto a certificação dessas memórias, somente podem ser atestadas por pesquisas históricas realizadas posteriormente.

Características

Após de conduzir pessoalmente dezenas de sessões de regressão, tratei de observar as características já apontadas por outros experimentadores para possíveis comprovações. São elas:

Fases
Existem diversas fases no decorrer do aprofundamento do Transe, em linhas gerais ocorre uma diminuição da sensibilidade dos sentidos e também a sugestionabilidade, passando o sensitivo a oferecer resistência praticamente invencível aos comandos do operador“. Não testei a questão da diminuição da sensibilidade, entretanto as fases e redução da sugestionabilidade foram ocorrências constantes.

Laço Luminoso
Durante o desdobramento a ligação corpo/perispírito é feita através de um laço luminoso. Pode ocorrer do sensitivo poder “ver” com os olhos fechados e inclusive visitar lugares distantes, podendo também se relacionar com seres desencarnados ou em desdobramento”. Cerca de 20% dos meus sujeitos relaram espontaneamente alguma experiência de fenômenos anímicos, inclusive desdobramento consciente, nenhum entretanto se referiu a qualquer espécie de laço.

Pontos Hipnógenos
Existem pontos que quando tocados (após a devida preparação) induzem o transe e outros que o encerram. Segundo as pesquisas de de Rochas, podemos identificá-los devido a insensibilidade dessas áreas. Ele cita: pulsos, atrás da orelha, peito e nas costas, mas pode variar de pessoa para pessoa”. Eu não me dispus a fazer essas verificações em nenhum sujeito.

Recordar-se e “estar lá”
Apesar de semelhantes há uma sutil diferença, numa fase mais profunda o sensitivo tem a sensação de estar lá... No mesmo local e no mesmo tempo de antes, sendo assim mais fácil falar de detalhes daquela existência” (HCM). Nesse nível é consideravelmente forte o nível emocional agregado as lembranças. Numa fase de transe mais superficial, o sensitivo sente-se consciente e mesmo assim pode visualizar imagens ou relembrar de uma vida passada, e muitas vezes ao final da seção insiste em afirmar que esta ‘aqui’ (consciente) o tempo todo, e acha que tudo foi apenas “invenção da sua cabeça”. No entanto as informações históricas (época, país, governante) checadas posteriormente muitas vezes demonstram não se tratar de simples mistificação. Este tem sido o que acontece em nossas experiências pessoais.

Incorporação da Personalidade
Algumas vezes, em um nível de transe mais profundo, o sujeito assume temporariamente a personalidade do passado parecendo ter retornado no tempo, pois não reconhece os fatos e pessoas do presente. Um excelente caso estudado, está no livro “Eu Sou Camille Desmoulins” de Hermínio C. Miranda. Pude comprovar esse fato em alguns dos meus sujeitos. Mas sem dúvida o caso mais patente, foi o caso de uma jovem que se reconheceu como “Nefertiti”, esposa principal do revolucionário Akhenaton, faraó da XVIII dinastia do Egito (A este respeito estou tentando publicar um livro chamado “Memórias de Nefertiti”).

É interessante anotar que nessa situação o sujeito perde a noção da realidade presente, não reconhece o operador e nem sabe o que está se passando. Pode acontecer que o sujeito se recorde ou não dos detalhes de toda as fase da experiência ao despertar.

Ângulo de Observação
Interessante observar que algumas vezes, principalmente no inicio da seção, o sensitivo vê imagens na perspectiva de um observador externo, como se assistisse a um filme em três dimensões, estando na cena mas sem pertencer a ela. Na seqüência da seção, ele pode passar a visualizar a cena no ângulo de um dos personagens, com a qual ele se identifica como ele próprio, vivendo com uma outra personalidade. Outras vezes, a lembrança vem como uma recordação de uma estória sem nenhuma imagem, a qual poderá surgir a seguir em forma ‘flashes’ ou passar para uma das fases iniciais (experiência pessoal). O operador pode às vezes comandar (ordem vocal) para que seja alternado os modos de visualização.

Anacronismo
Confusão de datas quanto à acontecimentos e pessoas. Convém lembrar, que o sensitivo desdobrado tem noção muitíssimo diferente do habitual quanto ao conceito de tempo. Não sabemos se a memória é igual ao uma agenda que todos os dias estão muito bem determinados, um em cada folha. Não é, pois de admirar se durante as experiências ocorrerem alguns anacronismos. Outras vezes a memória se mostra com uma incrível competência. Em um dos meus casos sujeito, lembrou de uma vida na Galiléia, e disse que o ano é 800, na época do quarto Imperador, depois de César. Nesse caso interessantíssimo, a data está surpreendentemente correta, pois o mesmo se referia ao calendário utilizado na época, o Romano, que é contado a partir da fundação de Roma em 753 AC. Nesse ano o imperador era Claudius, o quarto depois de Júlio César.

Progressão de Memória
Albert de Rochas também tentou fazer experimentos de progressão de memória, ou seja, fazer o sensitivo ver o seu futuro. Porém foram poucos e inconclusivos. Também fiz algumas experiências nesse campo, mas também foram inconclusivas. Penso eu, que as experiências de progressão mostram uma possibilidade de futuro entre várias, talvez a mais provável dada as variáveis do momento (mas é somente uma hipótese). Vislumbro também utilizá-la como uma espécie de imagem mental criativa, a fim de fazer uma mentalização positiva, ou uma simulação de determinadas cenas (uma espécie de realidade virtual sem computador) que facilitem o tratamento psicológico em pacientes com algum tipo de trauma.

Regressões em Espíritos
Hermínio C. Miranda realizou inúmeras regressões em espíritos durante a manifestação mediúnica, utilizando basicamente o método de magnetização. Dessa forma é possível realizar verdadeira psicanálise em espíritos desencarnados.

Apoio Espiritual
Nas nossas experimentações, estamos supondo que há uma equipe espiritual que participam na obtenção dos fenômenos, e até induzem as épocas das regressões que possam atender a determinados objetivos, e isso podemos ter percebido durante as práticas. .. também no que tange a ausência de manifestações mediúnicas, salvo uma, por enquanto, que garantia a presença deles na condução do trabalho e solicitando sinceridade nos propósitos e oferecendo segurança no processo. Mas, quem utilizar a técnica de regressão de memória, tem que estar preparado para a possibilidade da ocorrência de algum tipo de interferência mediúnica.

A Língua
Apesar de raros existem na literatura casos em que o sujeito em transe pode falar no idioma nativo da personalidade lembrada mesmo que ele não o conheça minimamente. É o caso do índio americano que podia falar em francês fluente quando relembrava de uma vida na França (Investigando Vidas Passadas, Dr. Raymond Moody Jr). O meu sujeito do caso Nefertiti falou em grande parte do tempo em um idioma não identificado, sendo possível tratar-se de egípcio antigo devido há algumas particularidades. Entretanto a grande maioria dos sujeitos utiliza sua língua nativa do estado de vigília, tudo indica que mesmo nos transes mais profundos a individualidade espiritual do sujeito mantém o controle do processo, e mantém a interface apropriada para a comunicação com o operador.

Efeitos Colaterais
Quando há ocorrência de um transe mais profundo, é comum que o sensitivo guarde por algum tempo o desconforto devido às fortes emoções que foram revividas. Essa reação pode variar de alguns minutos até 24 horas. Pode até mesmo causar reações posteriores em função daquelas lembranças. Portanto é extremamente importante, que antes de trazer o paciente para o presente, seja feito um lento trabalho de re-equilíbrio, dando sugestões de calma, serenidade, saúde, etc. fazendo-o compreender que deve manter as memórias, mas as emoções devem ficar restritas a aquele determinado período no tempo. Um acompanhamento posterior é fundamental para garantir o equilíbrio psicológico do sujeito.

Censura ética
A meu ver a preocupação no meio espírita devido a resposta à pergunta 392 do Livro dos Espíritos é deveras exagerada, apesar de justa. De acordo com Hermínio Miranda, e também com as minhas próprias experimentações determinados conteúdos (e até algumas vidas) ficam como que censuradas aos acessos mesmo em transe, como a preservar o sujeito de algum choque além do suportável. Um dos meus sujeitos em transe lembrava perfeitamente de uma vida na França medieval, mas não conseguia lembrar do período dos 30 a 40 anos de idade.


Conclusão

Diante desse quadro, nada há de surpreendente no fato de que empregando-se a técnica apropriada seja possível não apenas sincronizar com aquela realidade da memória chamada da memória que chamamos passado, como a outra realidade do tempo que chamamos futuro. De alguma forma, portanto é possível encontrar nas estruturas do tempo brechas cósmicas por onde os sensores da mente aprofundam-se na intimidade de nossos registros inconscientes e reproduzem sons, imagens e emoções de um passado esquecido, mas não destruído, da mesma forma que a metodologia da hipnose pode rebuscar os registros da vida atual no âmbito da subconsciência e do inconsciente. O esquecimento é conveniente, contido por certos condicionamentos, mas não absoluto e total.

Maurício Mendonça
27-5-2004


Bibliografia
A Memória e o Tempo, Hermínio C. Miranda, Editora Lacaster
Eu Sou Camille Desmoulins, Hermínio C. Miranda / Luciano dos Anjos, Editora Lacaster
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Editora FEB
Investigando Vidas Passadas, Raymood Jr, .
Memórias de Nefertiti, Mauricio Mendonça.


 

Mauricio Mendonça - Instituto de Pesquisa de Ciência Espírita do Ceara - IPCE
www.ipce.e1.com.br




Fonte: http://www.plenus.net/modules.php?name=News&file=print&sid=27

 

 

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