Espiritualidade e Sociedade





Wlademir Lisso


>    Quem Somos Nós? - A Fascinação e os Distúrbios Mentais Associados

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Wlademir Lisso
>    Quem Somos Nós? - A Fascinação e os Distúrbios Mentais Associados



Iniciamos a divulgação de alguns artigos procurando identificar nas pessoas - almas - espíritos reencarnados - padrões que facilitem o conhecimento mútuo e as relações interpessoais, bem como o processo do autoconhecimento, em especial no meio espírita, sem a pretensão de estabelecer algo "definitivo", mas apenas transmitir o produto de nossas observações no lidar com grande número de pessoas.

Felizmente, não com muita freqüência temos encontrado um certo tipo de pessoa que apresenta características diferenciadas entre colaboradores, assistidos, etc. Citamos o que observamos de mais comum no compulsivo-fascinado, embora existam variações inclusive quanto à gravidade do processo compulsivo-obsessivo.

Embora não representem grande número no nosso meio, é importante destacar porque principalmente em relação ao Espiritismo existem dois problemas principais que são:

• Pessoas de prestígio no nosso meio que são objeto de ataques daqueles que vamos denominar neste trabalho compulsivos-fascinados, e que se dão ao trabalho de dar respostas e justificativas;

• Outras pessoas que ouvem o que o compulsivo-fascinado quer falar e alimentam a "paranóia" prejudicando o doente, até porque intimamente sabem estar diante de elemento difícil e ouvir e concordar muitas vezes parece a posição mais cômoda para evitar maiores "aborrecimentos".

Dissimulam o distúrbio/obsessão (até de forma inconsciente, talvez por instinto de sobrevivência) aparentando uma calma que estão longe de sentir e uma inteligência que, na verdade, é apenas superficial (já que razão e lógica são aspectos importantes de inteligência e se contradizem totalmente com este tipo de distúrbio/obsessão), iludindo pessoas sem senso crítico em relação ao que ouvem ou vêem.

Em ambos os casos, entretanto, é importante termos consciência de que o compulsivo-fascinado é um doente que necessita de ser tratado e dificilmente assume consciência de que precisa de ajuda médica e espiritual e não se submete a qualquer tipo de terapia. Esta posição gera prejuízos que se manifestam por toda a existência, pois geralmente dificulta o relacionamento familiar, profissional, social e no meio espírita. Na família, conhecemos casos em que os familiares - geralmente cônjuge e filhos – tornam-se verdadeiros "reféns" de suas idéias fixas, opiniões equivocadas e unilaterais, pois não têm capacidade de considerar a realidade criando para si mesmos uma "realidade" individual que tentam impor às demais pessoas.

Na categoria de co-dependente, situa-se no padrão de "controle", oferecendo conselhos e orientações sem que sejam solicitados pelas pessoas; agindo de modo a sentir-se necessário para ter uma relação com as demais pessoas; tentando convencê-las sobre o que devem sentir e pensar; fazendo com que os outros façam o que não querem fazer; gastando energia e buscando posições de supremacia; não respeitando a liberdade alheia. Pensa que as pessoas devem ser como ela quer que elas sejam.

Lembram essas pessoas - compulsivas-fascinadas - os inquisidores do passado - embora esses muitas vezes desenvolviam o processo de perseguições por razões materiais e pessoais - que se focam em certa direção aonde parece estarem vendo uma "luz" que precisam atingir, movidos pelas suas idéias fixas. Não conseguem, realmente, se conscientizar que a "luz no fim do túnel" tanto pode ser algo bom como a lanterna de um trem vindo na nossa direção.

"Inquisidores", na atualidade, seriam ignorados pela maioria das pessoas e, se houvesse muita insistência em posturas "inquisitoriais", seriam internados em casas de doentes mentais, mas nunca levados em consideração.

Situa-se a compulsão-fascinação entre os vários distúrbios mentais onde se observam as idéias fixas, que permanecem de forma obsessiva, impedindo uma análise realista de fatos e conceitos. Embora, geralmente, os terapeutas situem o Transtorno Obsessivo-Compulsivo como manias exacerbadas, que se manifestam em comportamentos físicos, vemos o TOC também dentro do campo das idéias fixas, mesmo porque manias que se manifestam de forma material são geradas por concentrações mentais em determinado objeto ou direção. Entretanto, este tipo de distúrbio está geralmente associado a um processo mais ou menos grave de fascinação que se apresenta, entre outras, com as características que evidenciam:

• Influência sutil e pertinaz, quase imperceptível para o obsediado, o que dificulta muito a cura do problema espiritual, já que geralmente não admite o processo obsessivo e não aceita se submeter a um trabalho de desobsessão;

• Perda de capacidade de julgamento, apegando-se a fatos e conceitos de forma obsessiva e agressiva, na maioria dos casos sem a capacidade de apreender a realidade e os problemas que o ser humano enfrenta na interpretação, seja dos fatos, seja dos conceitos;

• Inconsciência, pois criam uma realidade própria na qual vivem mergulhados e para a qual querem arrastar as demais pessoas, sem perceber o ridículo das suas idéias fanáticas que tentam impingir de todas as formas possíveis;

É, sem dúvida alguma, "a obsessão mais difícil de ser curada", pois envolve sentimentos e pensamentos se refletindo na ação, gerando fanatismo. Vivem, inclusive, um processo depressivo, o qual, da mesma forma, não admitem e, portanto, não tratam.

Embora não seja o nosso objetivo no momento, a fascinação atua negativamente nos médiuns, gerando comunicações inoportunas, crença absoluta na identidade de Espíritos mistificadores que se manifestam nas comunicações etc. Além dos prejuízos evidentes já citados, que decorrem do distúrbio mental associado com o processo obsessivo, o compulsivo-fascinado pode em determinados momentos incorrer - na sua ânsia de imposição de suas idéias - em crimes previstos no Código Penal Brasileiro, pois dentro da sua inconsciência não desenvolvem senso de auto-crítica, essencial no processo do auto-conhecimento. Tais crimes - citamos como ilustração - são os identificados como Injúria e Difamação - que se definem como:

Injúria (Atribuir a alguém uma qualidade negativa, que venha a ofender sua dignidade ou seu decoro)

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:

I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;

II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997

Difamação (Atribuir a alguém um fato determinado que seja ofensivo à sua reputação).

Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Na assistência espiritual, identificamos pessoas com as características citadas, que não admitem a compulsão-fascinação ora abordada e não recebem a assistência para esta finalidade. As pessoas com tais características recebem assistência por "outros motivos", o que dificulta a recuperação pela não identificação de uma das grandes causas de seus problemas, impedindo a necessária mudança interior. No nosso trabalho para depressão grave identificamos assistidos com este padrão, mas - embora admitam e tratem a depressão - não admitem a compulsão-fascinação, geralmente por controle.

Para prevenir o distúrbio e o processo obsessivo é essencial para o Ser Humano entender que vivemos em mundo ainda de pouca evolução e, portanto, habitado por almas ou Espíritos da mesma categoria, onde: Não existe nada que seja inteiramente verdadeiro. Todas as verdades são meias verdades.

Em matéria de Doutrina Espírita, a tendência exagerada de discutir e criar polêmicas em termos de interpretação pode gerar o compulsivo-fascinado que se intitula "O dono da verdade", e tenta "impor" a sua "verdade" através de posturas agressivas que não convencem ninguém e, no máximo, tornam-se grotescas e ridículas.

Neste sentido, citamos a célebre frase de Léon Denis, que é o nosso lema em matéria de Espiritismo:

 

"NÃO DISCUTAS, POIS, MAS TRABALHA. A DISCUSSÃO É VÃ, ESTÉRIL É A CRÍTICA..."

 

Pessoas que passam muito tempo discutindo e criticando, geralmente não são produtivas e não realizam um trabalho que poderia ser realmente útil a si mesmas e às demais pessoas - /no meio espírita - nas assistências social e espiritual, aulas que visem a educação e não somente levar conhecimento e acima de tudo na exemplificação como cristão perante a vida e perante as demais pessoas.

No que diz respeito a fatos, é importante lembrar que a interpretação daquilo que se observa depende de enquadrar o fato no contexto da situação e dos objetivos que geraram a sua exteriorização, que geralmente estão muito além da capacidade de entendimento de "pára-quedistas", presentes no momento em que acontecem.

A interpretação de fatos é sempre realizada de acordo com a realidade interior do observador, formada pelos seus sentimentos, pensamentos e emoções. Portanto, sempre unilateral e pessoal. Mais grave, quando os fatos não são presenciados, mas noticiados por outras pessoas, quando sofrem um processo de deturpação grave. São "interpretados" duas vezes e de forma cada vez mais isolada das circunstâncias e motivações. Situando muito bem o problema de interpretação a que nos referimos acima, cita Montaigne.

 

"A PALAVRA É METADE DE QUEM A PRONUNCIA E METADE DE QUEM A OUVE"

 

Com base nas questões citadas fica o nosso "alerta" às Casas Espíritas e pessoas que, por estarem em destaque, podem ser assediadas por compulsivos-fascinados, no sentido de não alimentar os distúrbios e processos obsessivos, respondendo a críticas estéreis e se envolvendo em discussões vãs. Pretensiosamente - "exigem" respostas como se fossem os "fiscais" do Espiritismo e das Casas Espíritas - dos quais obviamente estão bem distanciados dentro do processo da compulsão-fascinação, gerando a co-dependência no padrão controle a que nos referimos acima.

Não existe nenhuma "obrigação" para qualquer entidade ou pessoa de dar respostas a críticas estéreis ou entrar em discussões vãs. Se houver constrangimento através de assédio por qualquer meio e evidência de injúria ou difamação, acionar as autoridades competentes é contribuir para auxiliar o obsessivo-fascinado a tomar conhecimento do seu problema e - quem sabe? – tratar-se adequadamente.

Lembramos, novamente, a frase de Léon Denis, que deveria ser a diretriz de todo espírita-cristão que realmente compreende "O que é ser Espírita" e quais são as suas responsabilidades perante a vida, perante a si mesmo e perante as pessoas em geral: "NÃO DISCUTAS, POIS, MAS TRABALHA. A DISCUSSÃO É VÃ, ESTÉRIL É A CRÍTICA..."

 

 

Fonte: http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-208.htm - O Mensageiro

 

 



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