Espiritualidade e Sociedade





Jorge Gomes

>    A Ciência e as leis da natureza

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Jorge Gomes
>    A Ciência e as leis da natureza


À medida que a história se desenrola nos palcos da Terra, a conquista de conhecimentos sucede-se em vagas sucessivas. E onde a ciência pára com receio de errar, o Espiritismo avança…

Às vezes, conhecimento parece uma cidade com edifícios que ameaçam ruir e carecem de rectificação. É quase como se se voltasse a ouvir a voz do poeta, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades».

O conhecimento dito científico é algo muito recente na história milenar da humanidade. Ainda gatinha, como um bebé. Esta forma de conhecimento só surge quando muitos outros patamares de apreensão do saber – empíricos, técnicos e quejandos – proporcionaram às mais diversas sociedades recursos para sobreviverem e depois progredirem. Por vezes até surgem por revelação, quando os Espíritos sopram idéias renovadoras nas comunidades humanas a muitos níveis de actividade. Como não querem saber de direitos de autor, passam despercebidos. Posto isso, não há dúvida de que “A Ciência tem por missão descobrir as leis da Natureza”, conforme diz Allan Kardec em «A Génese». E como essas leis são obra de Deus, a ciência em última instância vai dando recursos ao ser humano para perceber melhor o funcionamento deste grande e complexo relógio.

Como a descoberta das leis da natureza se faz passo a passo, por vezes até em terreno escorregadio, o que acontece é que há “verdades” científicas de hoje que o não são amanhã.

Por isso, o conhecimento científico, como construção humana, procura uma forma de avançar sem erros, o que faz com que siga devagar e segundo as regras ditadas por quem o controla.

O cientista e a ciência

Entra aqui o papel do cientista que é apenas um homem ou uma mulher, não é um robot mecanizado, sem paixão, nem sentimentos, nem convicções. Por isso, vemos cientistas – e outros que dizem sê-lo e não o são – que argumentam afirmando por exemplo que a vida não continua após a morte do corpo físico e que a reencarnação não faz sentido.

E encontramos outros cientistas credenciados que realizam trabalhos, publicam-nos, sustentam-nos no universo da seriedade e até criam escola de investigação científica a dizerem, só com factos, sem palavras especulativas, que a reencarnação faz sentido e logicamente, por consequência, a continuidade da vida após a morte, indo até à comunicação dos espíritos.

Isto liga-se a uma afirmação de Allan Kardec, quando deixa escrito no livro «A Génese», Cap. X: “O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria; admite tudo o que o segundo admite; mas, avança para além do ponto onde este último pára. O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto; chegados a certa distância, diz um: «Não posso ir mais longe.» O outro prossegue e descobre um novo mundo.”

Para a doutrina espírita, só faz sentido pensar com fé se esta for raciocinada, ou seja, se se sustentar em factos. Como é impossível neste momento da evolução palmilharmos quilómetros na estrada do conhecimento em pouco tempo, há aquilo que cada um por si considera “verdades adquiridas” – as que derivam directamente dos factos – e as “verdades temporárias”, reunindo-se aqui as lucubrações menos próximas da realidade. As mais distantes dos factos geralmente redundam em disparate.

Estes pontos oscilam de acordo com cada um, de forma mais realista ou menos consistente. É a “maturidade do senso moral” que determina isso.

O homem-macaco

Por altura de 1859, o protagonista da teoria da evolução das espécies, Charles Darwin, era ridicularizado nos jornais ingleses com uma caricatura de homem-macaco. E isso apenas porque percebeu que todas as espécies de seres vivos podiam ter uma ligação evolutiva, como hoje se sabe através de estudos filogenéticos de laboratório.

Esta ligação entre toda a vida está patente em várias obras de Allan Kardec. Fará sentido perceber nessa expressão a interacção entre o corpo físico e o corpo espiritual dos seres vivos, em cuja embarcação o princípio inteligente evolui como o molde e a forma, na descrição do espírito André Luiz em «Evolução em dois mundos», psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.

As mudanças evolutivas terão sido impulsionadas, diz o autor, por modificações no corpo espiritual que vieram a repercutir no desenvolvimento do corpo físico, complementando as mutações genéticas referidas pela teoria ensinada nas escolas e que justificarão as adaptações dos organismos aos meios favoráveis à sua sobrevivência.

É evidente que a condicionante genética de cada ser existe, e faz parte do programa da evolução. Nesse percurso, o princípio inteligente, o rudimento do Espírito que anima o ser humano, dotado de livre-arbítrio, exercita a sua escassa liberdade de acção guiado na sua sobrevivência pelos instintos.

Os instintos diferem da inteligência em muitos pontos. Eles são automáticos, certeiros, enquanto o exercício do intelecto tem de ser arquitectado e é falível. Se o primeiro não engloba senão escassa margem de liberdade de acção, esta na inteligência é muito maior.

Uma cegonha a construir o ninho fá-lo por instinto, mas um orangotango se não aprender com a mãe a fazer uma cama de ramos dobrados, ou um guarda-chuva de folhas largas em plena floresta, jamais colherá benefícios dessa prática, pois não a saberá executar.

Aquela ideia de que os animais não raciocinam hoje sabe-se que está errada. Tudo se encadeia na natureza, do átomo ao arcanjo, dizem as entidades espirituais. E esses seres vivos estão bem mais próximos do nosso estado do que geralmente gostamos de imaginar.

Nesta pista de aprendizado geral, é como se o ADN, responsável pela hereditariedade, criasse linhas de conduta que orientassem o princípio inteligente a enriquecer a sua experiência de vida. Veja-se também o exemplo das galinhas-de-água, animais selvagens que vivem nos charcos e nas margens de ribeiros. Reproduzem-se na Primavera, altura em que podem criar meia dúzia de juvenis. Como crescem depressa, no Verão já poderão estar com a dimensão dos pais, mais acinzentados do que negros, e tratam da segunda geração do ano, ajudando a alimentá-los. Uma outra ave parecida, o galeirão-comum, no mesmo ambiente, tem uma estratégia semelhante, só que está orientada para ter ninhadas maiores. A pressão das crias, por vezes 15 ou mais, que pedem constantemente alimento aos progenitores faz com que a dada altura estes distribuam algumas bicadas. Por fim, uma ou outra cria adoece e perde a vida.

No caso, a tendência é genética, mas numa certa medida cada ser ganha experiência de vida, alcança patamares superiores na espiral de evolução em que todos estamos matriculados, ainda que não acredite nisso.

E a liberdade de agir cresce, cada vez mais à medida em que se reúnam mais condições de a usar como ferramenta capaz de angariar mais afecto e sabedoria no imo do ser.

Com ou sem conhecimento científico, a vida sobe mais alto e as estrelas a tudo assistem como se um dia fôssemos capazes de iluminar tão longe quanto elas o sabem fazer.



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Fonte: http://www.feportuguesa.pt/files/RE77CiencLeisNaturJG.pdf

 

 



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