Luiz Carlos D. Formiga

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Luiz Carlos D. Formiga
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Tons de Cinza

 

Pessoas ficam estressadas quando verificam que vai chover. Pressentimos a tempestade, nuvens surgem apresentando diferentes tons de cinza. No cinza do câncer há reações de formas diferentes e a tempestade nunca é igual para todos, como na Lepra.

Um fotógrafo francês registrou cenas em 400 bailes funk espalhados pelo Brasil(1). Observando as fotos, a multidão, concluímos que “o homem médio é um tipo genérico, sem diferenciação do todo. Somente razões especiais, relativamente individuais, podem separar indivíduos do restante. O homem, enquanto médio, vive sem esforço para o aperfeiçoamento de si mesmo, até porque quem não for como todo mundo pode ser eliminado.” Um dia sempre chega a tempestade.

Emmanuel diz que “quando o homem comum descansa nas vulgaridades e inutilidades da existência terrestre, ninguém lhe examina os passos.” A multidão, a massa, só entende o homem na animalidade em que se compraz. São os diversos tons de cinza da velha ignorância que lhe é característica. Com a consciência desperta surge-lhe então um tipo de estresse, aquele gerado pelas disputas mais ásperas por rebentar o casulo das paixões inferiores na aspiração de subir. A vida humana se torna luta do homem consigo mesmo.

Nessa luta travada no meio exterior, na procura da técnica que possa lhe aliviar das obrigações e ampliar o ambicionado supérfluo, é normal surgir o estresse.

Um pensador disse que “viver é um não contentar-se em ser, mas compreender e ver que se é um incessante descobrimento que fazemos de nós mesmos e do mundo que nos rodeia”.

O homem comum não desconfia de si mesmo, revela estupidez, suas ideias são taxativas sobre tudo. Incapaz de ouvir, quer impor crenças. Não procura a verdade dos fatos, cria versões e delas se alimenta. O homem especial se orienta pela reflexão e a vontade que estão acima dos sentidos.(2)

O animal irracional é um sistema de necessidades orgânicas e seus atos procuram satisfazê-la. A vida humana é muito mais e entre o estímulo e a resposta, o homem possui liberdade de escolha.

Não somos apenas um corpo submetido a leis físicas, somos uma individualidade, ser único, não somos um corpo qualquer, mas estruturado, com uma anatomia, histologia, biofísica, fisiologia, que gasta energia, amadurece e sofre desgaste. Mesmo que apresente limitações, sem visão e audição, posso crescer como Helen Keller
(2). Sou, também, um mundo interior complexo estudado pela psicologia, psiquiatria e que pode ter o superego inibido pelo álcool. Aprendo, conduzo um automóvel e internalizo valores. 

Por outro lado, estou situado num contexto espacial-temporal, lugar e época, que me determina, cultivado num meio de cultura próprio, construído pelo homem, colocado numa “temperatura” que interfere na minha curva de crescimento. Assim, vivo num meio artificial e dele recebo influências diversas, como costumes, moralidade, religião, modelo econômico, político. No entanto, tenho livre arbítrio. Tomo decisões, faço opções, aceito, rejeito ou transformo. Como cientista posso produzir o bem e, sob o ponto de vista social e político, posso ajudar a transformar a sociedade e as instituições humanas. Mesmo correndo risco, deixo de ser comum para ser diferente da massa. Quando descubro meus limites, os limites da minha liberdade, torno-me homem especial, consciente. Com a Doutrina Espírita, aquela que descobriu que a vida não cessa com a morte do corpo, chegamos ao caminho da aplicação no trinômio - trabalho, solidariedade e tolerância. Emmanuel, em Pedro Leopoldo, 18/4/1943, disse que o Espiritismo aplicado é Vida Eterna com Eterna Libertação.

Emmanuel leciona em Caminho, Verdade e Vida: “Ninguém julgue fácil a aquisição de um título referente à elevação espiritual. A erva está longe da espiga, como a espiga permanece distanciada dos grãos maduros.” O mais forte adversário da alma que deseja seguir Jesus, Modelo-Guia, é o próprio mundo.

Nem o homem comum nem o diferente estão livres do estresse, e parecem lidar com ele de modo diferente.  

Uma situação que exija adaptação orgânica e ou emocional produz estresse e gasto de energia superior àquele a que o organismo está acostumado. Nos estados de estresses há produção de determinadas substâncias importantes durante a adaptação, mas que, liberadas por prazo longo, produz efeito destruidor sobre tecidos, inibindo o crescimento somático e a formação óssea. Em indivíduos estressados, surgem diversos tons de cinza. Há perda do sono, o que produz déficit na capacidade de síntese molecular do cérebro, necessária à estruturação da memória. Os estressados podem apresentar um número variado de distúrbios, como infarto do miocárdio, úlceras pépticas, doenças circulatórias, envelhecimento precoce.

Pode-se fazer comparação com os "estados excitados", utilizados no estudo dos fenômenos atômicos e moleculares. Durante o estresse o organismo se mantém fora do seu "estado fundamental, ficando em níveis mais altos". Mesmo numa vida sem grandes impactos ou novidades não é possível a manutenção constante deste estado fundamental. O organismo está realmente oscilando o tempo todo em torno desde estado, sendo até possível que o envelhecimento e o tempo de vida estejam relacionados com a intensidade dessa oscilação. Para sobreviver, os seres vivos encurtam o seu tempo de vida, envelhecendo.

Há uma gama de tons de cinza, nos quais a relação mente-soma está intimamente intrincada. A síndrome do cólon irritável está associada à ansiedade ou depressão.

Em adição aos sintomas da síndrome, muitas vezes, se associam sensações de fadiga, fraqueza, disfunção sexual, palpitações, tonturas, cefaleias, tremores de extremidades, dores lombares.

O estresse na viuvez pode provocar efeitos adversos na imunidade humoral, na produção de imunoglobulinas. O sistema imune celular capaz de eliminar células cancerosas ou infectadas por microrganismos, também é atingido.

O estresse produz a imunossupressão dos mecanismos ligados não só às infecções, mas também aos ligados as doenças malignas e as enfermidades auto-imunes.

O estado de saúde é um estado de harmonia tanto interna quanto externa. Devemos estar despertos para o fato de que, quando fixamos a atenção da doença no corpo físico, desviamos da verdadeira origem da enfermidade que, em essência, tem seu start no desequilíbrio energético de natureza mental, emocional e espiritual. Se o paciente se esforça continuamente para neutralizar essas forças, a saúde no seu mais amplo sentido é recuperada.

Se levarmos em consideração que ao nos equilibrarmos energeticamente, mudando a nossa atitude mental, no sentido de elevarmos essa perspectiva, atingimos a capacidade de modular a ação farmacológica das drogas, potencializando os seus efeitos benéficos e minimizando seus efeitos adversos, do tratamento físico. Desta forma podemos compreender como um mesmo tratamento aplicado a pessoas diferentes tem resultados diversos; que medicamentos eficazes para uns não atuam em outros.

O que conhecemos como doença é o estágio final de um distúrbio muito mais profundo; e para assegurar o sucesso em qualquer tratamento é óbvio que cuidar apenas do resultado final não será um procedimento eficaz, a menos que a sua raiz seja resolvida. Métodos que auxiliam a harmonização dos corpos etéreo, emocional e mental, removendo bloqueios na sua raiz, como a meditação, facilitam a livre fluência das energias superiores através da personalidade (3).

No “Journal of Alternative and Complementary Medicine”, 2010-12 (New York, N.Y.) encontram-se artigos que exploram o ramo da Imunologia onde se pesquisa a influência das emoções sobre o trinômio adaptativo, os sistemas imunitário, endócrino e nervoso.

Um professor de Imunologia interessou-se pelo estudo da meditação, fazendo-a objeto de suas pesquisas. Surgiu assim, na Faculdade de Medicina, uma linha de pesquisa no curso de pós-graduação com o título - “Impacto psiconeuroendócrinoimunológico da meditação prânica”, sistematizada com base na filosofia védica.

O prana é energia que se distingue da eletromagnética, da gravitacional e das forças nucleares. Embora, ainda não reconhecida no meio científico, está relacionada à saúde física e mental, existindo evidências ciêntíficas sugestivas de que ela influencia na organização celular.

No laboratório de Imunologia Celular essa energia vem demonstrando capacidade de estimular a capacidade fagocitária de neutrófilos e monócitos e ainda a produção de moléculas destruidoras de micróbios. Outra observação é que praticantes da meditação apresentam significativa melhora do bem estar físico-emocional, além de exercer influência positiva sobre o sistema imuno-neuro-endócrino de mulheres em tratamento do câncer de mama. Há redução da dor, da fadiga, dos distúrbios do sono e da perda de cabelo associada à quimioterapia. Outras alentadoras observações foram feitas em indivíduos com dores crônicas de coluna, fibromialgia, dores sobre todo o corpo por longos períodos e ansiedade.

Devemos considerar que não basta ao homem atender às suas necessidades básicas. A necessidade humana engloba o supérfluo. Assim, a luta pela sobrevivência, o estar, é inseparável do bem estar. Esse bem estar é uma meta móvel e variável. Assim, o homem se entrega à pesquisa e à técnica procurando libertar-se da vida animal, das circunstâncias imposta pela natureza, para poder entregar-se a si mesmo, aos outros afazeres não biológicos, como o psicológico, o cultural, o espiritual, descobrindo-se, diminuindo seus estresses e vivendo mais e melhor (4).

Essa técnica de relaxamento e de autoconhecimento, pode reduzir em até 80% a produção de substâncias relacionadas ao estresse. Em amostras de sangue pode-se identificar a redução significativa da corticotrofina, que estimula a liberação do cortisol.

Com base em metodologia desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pode-se verificar que com a meditação ocorre uma elevação no padrão de vida do indivíduo, havendo redução dos níveis de ansiedade.

Não estando ligada a nenhuma concepção religiosa ou mística e nem se candidatando a substituir a medicina, a meditação pode complementar os tratamentos convencionais e aumentar a vitalidade. Por outro lado, parece pertinente lembrar, buscando espiritualidade e saúde (5), da recomendação de André Luiz: “não viva pedindo orientação espiritual, indefinidamente. Se você já possui duas semanas de conhecimento cristão, sabe, à saciedade, o que fazer”, diante dos diversos tons de cinza.

Fenômeno psico-social-somático hoje, a Lepra é extremamente saturada de tons de cinza. Surgem curiosidades. Como Jesus curou leprosos sem usar antibióticos? Houve recidiva? Dos 10 curados, quantos demonstraram bom nível de inteligência espiritual posteriormente? (6)

Em linguagem simbólica, lembrando a reencarnação (karma) nesta “imagem médica”, podemos dizer, também aqui, que existem certas aplicações específicas que necessitam de mais tons de cinza, para evitar erros futuros (7).

 

Leitura Complementar

(1) http://m.noticias.bol.uol.com.br/fotos/entretenimento/2014/12/17/fotografo-frances-cria-serie-sobre-o-funk.htm?imagem=1
(2) http://saci.org.br/?modulo=akemi&parametro=2789
(3) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2012/02/saude-e-doenca.html
(4) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2011/08/estou-muito-deprimida-magoada-nao-posso.html
(5) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/08/desinteresse-e-indiferenca.html
(6) http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/09/inteligencia-espiritual-qs-para-cura.html
(7 )http://www.uff.br/cdme/matrix/matrix-html/matrix_gray/matrix_gray_br.html

Fonte:
http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2014/12/tons-de-cinza.html

 


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