Espiritualidade e Sociedade



Luiz Carlos Formiga

>    Encadernação Vermelha, Bioquímica, Finados e Aborto

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Luiz Carlos Formiga
>   Encadernação Vermelha, Bioquímica, Finados e Aborto


“Você pode dizer que sou um sonhador,
mas eu lhe garanto que não sou um só”
John Lennon

Revista Internacional de Espiritismo, LXXV(10): 438-440, 2000.

 

Uma parcela da população brasileira tomou conhecimento (Veja, 11 de outubro) de que foi aprovada nos EUA a venda da pílula do aborto. O articulista chama a atenção de que ela está longe de ser uma aspirina. A RU-486, neutralizando a ação da progesterona e o Cytotec, agindo diretamente nas fibras do músculo uterino acabam expelindo o feto. Não é parecido com o que ocorre com a pimenta do reino cheirada pela criança, que introduziu o caroço de feijão em uma das narinas. Ela pode “espirrar” o corpo estranho. O feto não deve ser um espírito estranho. Deve haver alguma ligação, pelo menos, com o psiquismo de um dos pais, até mesmo na “gravidez indesejada”. Aqui implica na morte do outro.

A morte é o que há de mais duro quando vista de fora e enquanto se está fora dela. Porém, uma vez dentro, experimenta-se tal sensação de completude, de paz e de realização que não se quer voltar (C.G. Jung. Letters, vol 1). O que Jung não disse é que isso só acontece quando estamos com a consciência tranquila, não estamos diante do suicídio ou do aborto. Num projeto de pesquisa, biológica, bioquímica ou outro qualquer, ninguém consegue descortinar toda a verdade. Jacques Monod, ao contrário de Jung, dedicou-se a explorar o mundo público e objetivo da biologia em vez de dirigir sua atenção para dentro. Ele olhava para fora como fazem os astronautas. O outro era um “psiconauta”, não usava microscópio nem telescópio. Hoje a molécula do DNA pode ser vista de forma ampliada com as informações daqueles biólogos que também fizeram a viajem interior. O trabalho de Monod não pode ser diminuído, pois era outra esfera de observação. O importante é que mesmo possuindo apenas parte da verdade coloquemos nossos esforços em favor da vida humana.

David Lorimer é diretor da “Scientific and Medical Network”, um grupo internacional de cientistas e de médicos que pretendem ampliar o arcabouço da ciência e da medicina de modo a ultrapassar o reducionismo materialista. Escreveu “Ciência, Morte e Propósito” e nos conta que Jung recebeu a visita de um amigo a cujo funeral comparecera na véspera. O amigo acenou para Jung, convidando-o a acompanhá-lo em imaginação até a sua casa. Chegando lá, eles subiram ao escritório onde o amigo, trepando num banquinho, indicou o segundo dentre cinco livros com encadernação vermelha, na segunda prateleira de cima para baixo. Tomado de curiosidade, Jung visitou na manhã seguinte a viúva de seu amigo e pediu licença para procurar uma coisa na biblioteca do amigo, uma sala com a qual ele não estava familiarizado. Ali encontrou o banquinho, e localizou os cinco livros com a encadernação vermelha na segunda prateleira de cima para baixo. Eram traduções de Zola, e o segundo volume intitulava-se “A Herança dos Mortos”. Jung havia desta forma obtido informações por intermédio de outros canais, diferentes daqueles dos sentidos. O título do livro é bastante sugestivo.

As pressões sofridas pelos pares nos fazem perder a coragem de dizer coisas que pensamos. Como não vale o esforço diante do fanático científico ou religioso muitas vezes a melhor opção é ficar calado. Jung, no entanto deixou um recado: “embora não se possam reunir provas válidas sobre a continuidade da alma após a morte, há experiências que nos fazem pensar com cuidado”. É possível que Jung tenha cometido o mesmo erro dos que duvidavam da existência de partículas subatômicas. Ainda estamos newtonianos.

E o livro encontrado por Jung?

Explico: tudo mera coincidência ou fantasia resultante de um desequilibrio bioquímico cerebral pós-funeral. Fácil explicar as razões das coincidências usando microscópios ou telescópios. Monod asseverou que o homem deve acordar de seu sonho milenar e descobrir sua total solidão. E, garanto que ele não está sozinho. (Percebeu o duplo sentido?).

Se continuar voltada apenas para fora e para a observação do exterior, a ciência nada poderá dizer a respeito do significado e do propósito da vida.

Jung foi capaz de perceber que uma parte da psique ou da mente humana não se acha confinada no espaço-tempo, mas é capaz de superar suas limitações em manifestações de telepatia e de precognição.

“Encadernação Vermelha, Bioquímica, Finados e Aborto.”
Revista Internacional de Espiritismo, LXXV(10):438-440, 2000.


- clique aqui para ler o texto completo em pdf -
http://www.iqm.unicamp.br/~formiga/neu/encadernacao

Fonte:
http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2014/04/recebendo-visita-de-um-morto-cujo.html


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