Espiritualidade e Sociedade



Luiz Carlos Formiga

>     Abuso de Poder Religioso. Perdoando Supremos Sinistros

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Luiz Carlos Formiga
>   Abuso de Poder Religioso. Perdoando Supremos Sinistros

Os ateus só podem matar Deus por decreto. Desta forma, estamos diante de uma relação de coação, onde um dos polos impõe sua forma de pensar. “Deus não Existe.”

A afirmação está baseada num dogma de fé, numa ideologia racionalista, que não foi provada. Da inexistência de Deus, embora sendo uma falsa premissa, sinistros tiram suas conclusões. O perigo mora perto porque dela podem surgir projetos de lei e decisões judiciais.

Hoje no Brasil, podemos pensar que estamos caminhando para um Estado com “religião oficial”, deixando de ser laico para ser ateu. (1) O que nos deixa perplexos é que “se Deus não existe, tudo é permitido”, até o aborto.
“Deus não existe, porque não quer!” (2)

Um jornalista nos possibilitou ler o voto de um ministro propondo que: “a partir das Eleições de 2020, seja assentada a viabilidade do exame jurídico do abuso de poder de autoridade religiosa em sede de ações de investigação judicial eleitoral”. (3) Será mais um motivo para a cassação de mandatos. Mas, já sabemos que isso é pura ideologia de quem não deseja concorrência, diz outro. (4)

Os sinistros de hoje são também escravos de seus violentos inimigos companheiros de ideologia materialista, adeptos da pena de morte. Já se disse que a substituição da ética-cristã pela ideologia é um grave erro. Tendo Jesus como Guia, vamos lembrar a canção, Rock in Rio 1985, que diz: “seja inverno, primavera, verão ou outono, tudo o que você precisa fazer é chamar e eu estarei aí com você. Você tem um amigo”.(5) Depois da crucificação Jesus voltou para nos dar aula prática de que a alma é imortal, como lecionou Leon Denis.

O que é a morte? Depende do polo da ciência em que se insere o pesquisador. Se lhe perguntarmos o que somos e a resposta for que somos apenas impulsos eletroquímicos num biocomputador, que se originou por acaso, num universo de partículas materiais mortas, a morte é certamente o nada. Só que isso é uma questão de fé, pois a ciência ainda não demonstrou que a vida se encerra com a morte do corpo.

O polo espiritualista da ciência oferece outra leitura. Este polo vê a morte como interrupção da reencarnação. Logo após o desenlace, o espírito recupera a plenitude das suas faculdades. Poderíamos dizer que a morte é uma mudança de estilo de vida e que as evidências científicas apontam neste sentido.

Após rigoroso exame, a Conferência internacional sobre a investigação paranormal, realizada na universidade do Colorado (USA), entre 7 e 10 de julho de 1988, publicou em sua ata um manifesto em favor do reconhecimento científico da reencarnação.(6)

O jurista Miguel Reale diz que “a pessoa é o valor-fonte de todos os valores, sendo o principal fundamento do ordenamento jurídico”. Sobre a liberdade religiosa registramos que “uma pessoa só tem liberdade religiosa se puder optar num ou noutro ponto de vista, sem perder sua dignidade como cidadão. A liberdade de crença e religião, sendo preservadas, aprimoradas e estendidas a todos os indivíduos, trará ainda maior evolução dos direitos e garantias individuais, que conduzem à justiça social e à paz entre os povos”.(7)

Com Jesus aprendemos a perdoar erros de sinistros.

Pela psicografia de F. C. Xavier, no Livro Almas em Desfile. Segunda Parte – L. 16. Pág. 163, conta Hilário Silva que Bezerra de Menezes almoçava em casa de Quintino Bocaiúva. Em meio da conversa, aproxima-se um serviçal e comunica ao dono da casa:

- Doutor, o rapaz do acidente está aí com um policial.

Quintino, que fora surpreendido no gabinete de trabalho com um tiro de raspão, que, por pouco, não lhe atingiu a cabeça, estava indignado com o servidor que fizera o disparo, sem dolo.

- Doutor - roga o moço, em lágrimas -, perdoe o meu erro! Sou pai de dois filhos... Compadeça-se! Não tinha qualquer má intenção... Se o senhor me processar, que será de mim?

O notável político respondeu: - De modo algum. Mesmo que o seu ato tenha sido de mera imprudência.

Percebendo que Bezerra se sentia mal, considerou: - Bezerra, eu não perdoo, definitivamente não perdoo...

Bezerra exclamou desapontado: - Ah! Não perdoa!

Quintino Bocaiúva falou irritado: - Não perdoo erro. E você acha que estou fora do meu direito?

O Dr. Bezerra cruzou os braços com humildade e respondeu: - Meu amigo, você tem plenamente o direito de não perdoar, contanto que você não erre...

A observação penetrou Quintino Bocaiúva como um raio. O grande político enxugou o suor, tornou à cor natural, e, após refletir, disse ao policial: - Solte o “sinistro”.

 

* texto também disponível em pdf - clique aqui para acessar

Notas:

1. https://jus.com.br/artigos/36787/liberdade-religiosa-e-os-limites-de-atuacao-do-estado
2. http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/F_autores_FORMIGA_Luiz_textos/FORMIGA_Luiz_tit_Deus_me_Livre.htm
3. https://blogdomax.net/noticias/o-recente-voto-do-ministro-edson-fachin-e-o-abuso-do-poder-religioso
4. https://youtu.be/mju0OEFMYac
5. https://blogdobrunotavares.wordpress.com/2017/08/25/um-grave-erro-pelo-escritor-e-articulista-espirita-luiz-carlos-formiga/
6. https://www.juli.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=4085674
7. https://blogdobrunotavares.wordpress.com/2016/09/05/roustaing-o-termometro-e-os-direitos-fundamentais-artigo-de-luiz-carlos-formiga/


LUIZ CARLOS D. FORMIGA é professor universitário da UFRJ e UERJ, aposentado.

 

 


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