Alexandre Fontes da Fonseca

>    Análise de 'A Teoria Corpuscular do Espírito' e 'Psi quântico'

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Alexandre Fontes da Fonseca
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O movimento espírita tem demonstrado enorme interesse no desenvolvimento da Ciência e, em particular, nos avanços da Física moderna. Idéias como ligação não-local, estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo, ou não estar em nenhum lugar antes de uma medida, influência do observador etc têm despertado a imaginação de leitores leigos em Física (e mesmo em alguns não tão leigos assim) com relação às questões espirituais. E, em função do status de verdade que a Ciência goza, capaz de revelar e orientar o progresso intelectual da humanidade, desenvolveu-se um fenômeno curioso dentro das diversas religiões que é o de buscar apoio nas Ciências modernas para doutrinas e teorias de natureza espiritualista. Como não podia deixar de ser, o movimento espírita também tem aderido a essa tendência e há décadas vemos obras que pretendem unir conceitos da Ciência com o Espiritismo, na intenção (boa, diga-se de passagem) de promover ou valorizar o aspecto científico do mesmo.

Porém, boa intenção não é o suficiente para mostrar que um conhecimento novo corresponde de fato à realidade e mesmo na boa fé, pode-se prejudicar mais do que ajudar. Se o interesse é valorizar o aspecto científico do Espiritismo, importante se torna questionar se de fato idéias, teorias, doutrinas, práticas que se dizem baseadas na Ciência e que se propõem no meio espírita são de fato tão dignas de mérito científico quanto qualquer ideia, teoria ou prática novas que surgem dentro do contexto puramente acadêmico ou científico.

O propósito desta série de posts é, portanto, trabalhar um aspecto pouco presente no movimento espírita: auto-crítica de suas teorias científicas. E, se o assunto é falar de ciência, lembramos que uma das formas da Ciência se desenvolver é através de auto-críticas construtivas dos trabalhos anteriores, onde se procura aprimorar e corrigir teorias e experimentos anteriores para obter resultados mais precisos ou mesmo prever e descobrir novos fenômenos.

Em um post recente, foram apresentados alguns argumentos sobre a forma equilibrada e cristã que o espírita tem como dever na hora de realizar uma análise crítica do que dizem os adversários do Espiritismo. Adotamos isso na análise que se segue de uma das teorias científicas mais comentadas no meio espírita, muito mais por méritos pessoais do seu autor, do que pela própria teoria. Estamos falando das teorias A Teoria Corpuscular do Espírito [1] e Psi Quântico [2] de Hernani Guimarães Andrade (1913-2003). Conhecido confrade espírita pela sua dedicação à pesquisa e divulgação no Brasil e no mundo dos fenômenos psíquicos e, mais ainda, pela sua personalidade fraterna e amável, Hernani escreveu duas obras de natureza teórica a respeito da estrutura da matéria que comporia o Espírito e/ou a matéria psi. Assim como se faz em qualquer ciência madura, vamos analisá-las sob a luz da ciência e da razão. Em uma série de três posts, apresentaremos um resumo dos pontos críticos presentes nas teorias acima.

Nosso objetivo principal é apresentar uma análise aprofundada das teorias de Hernani de acordo com conceitos bem estabelecidos da Física. As seguintes questões nortearão a análise: i) teriam as teorias de Hernani, por utilizarem conceitos da Física, sanção da mesma? ii) Apresentariam elas o que chamamos de auto-consistência, isto é, ausência de contradições entre si ou com outros conceitos da Física? Analisaremos alguns conceitos das obras das Refs. [1] e [2] da mesma forma como novas teorias e conceitos são analisados dentro da área da Física.

Pontos falhos das bases da A Teoria Corpuscular do Espírito

1. Sobre a necessidade de uma teoria com base na Física


Uma justificativa para o desenvolvimento de uma teoria corpuscular do espírito foi dada por Hernani na pág. 44 da edição de 2007 da obra [1](1), cap. I, seção “O Espiritismo e as Ciências”:

“No entanto o Espiritismo ressente-se da falta de teorias que lhe facultem avanço seguro na estrada da pesquisa metódica de laboratório.”

Esse comentário é curioso, pois que o Espiritismo é uma doutrina ou teoria fenomenológica, isto é, ligada aos fatos e fenômenos e, portanto, ela naturalmente contém em si orientações para pesquisas de natureza experimental, metódica e em laboratório. Veja-se para isso a análise do artigo da Ref. [3] e o post “Sobre teorias fenomenológicas e construtivas” .


2. A natureza corpuscular do espírito


Sob esse título, numa das seções do cap. II intitulado “As Bases da Teoria”, Hernani afirma na pág. 61 que
:

“Os mesmos argumentos lógicos que levaram a admitir-se a descontinuidade da matéria como necessária e imprescindível são aplicáveis à noção que hoje temos do espírito.”

Essa afirmação decorre de uma análise feita por Hernani em páginas anteriores do chamado paradoxo de Zenon de Eléia, como razão suficiente para concluir que a matéria deve ser descontínua. Há dois erros nessa consideração. Primeiro que o paradoxo de Zenon é facilmente resolvido se considerarmos que o produto de uma grandeza que tende a zero por outra que tende ao infinito, pode ter resultado finito. Ou que a soma de um número infinito de termos que individualmente tendem a zero, pode ter resultado finito. Isso, por exemplo, permite definir o conceito de uma integral em Cálculo como o limite da soma de infinitos termos que tendem a zero. Isso resolve o paradoxo de Zenon de Eléia. Outro erro é basear a hipótese de descontinuidade da matéria nesse paradoxo. A Física clássica trabalhou (e ainda trabalha) com o conceito de continuidade da matéria muito bem. Muitos fenômenos materiais na escala macroscópica são muito bem descritos por teorias que consideram um material como sendo formado por elementos de volume maciços e justapostos. A idéia de que a matéria era formada por partículas discretas só surgiu depois de experimentos como os realizados por Rutherford e sua equipe onde feixes de partículas alfa (que são núcleos de átomos de hélio) foram arremessados contra uma folha fina de ouro. Os resultados mostraram que a matéria não podia ser formada de átomos de acordo com um modelo conhecido como pudim de ameixas [4] em que os elétrons se distribuiam uniformemente em uma esfera positiva de cargas do tamanho do átomo. Para explicar seus experimentos, Rutherford propôs um modelo do tipo planetário para o átomo, isto é, em que os elétrons giravam em torno de um núcleo bem pequeno assim como os planetas giram em torno do sol.


Diagrama esquemático do experimento de Rutherford


3. Quanta de vida, de percepção e inteligência

Na seção “Componentes do Átomo Espiritual” do cap. II de [1], Hernani apresenta a definição de três novas partículas (pág. 67): “quantum de vida; quantum de percepção-memória; e quantum de inteligência.”. Na página anterior, Hernani argumenta que essas três características, vida, percepção-memória e inteligência são parte integrante e presente nos seres vivos. Na página seguinte, ele propõe a existência das partículas, bíon, percepton e intelecton para representarem esses quanta, respectivamente.

A primeira observação que fazemos é notar que a teoria acima não seguiu o esquema de desenvolvimento das teorias atômicas da Física. As falhas dessa proposta são as seguintes:

1) Em Física, até hoje jamais se postulou a existência de partículas relacionadas com o comportamento de sistemas complexos. Seres vivos, para a Física atual, são sistemas abertos e longe do equilíbrio termodinâmico apresentando, assim, comportamento rico e complexo. Apesar de bem intencionada, a proposta de que as características de vida, de percepção-memória e inteligência decorram de partículas individuais não soluciona de fato o problema de se descobrir qual é a origem da vida. Filosoficamente alguém pode perguntar mas por quê essas partículas se comportam assim? A única forma de aceitar essa proposição seria demonstrar experimentalmente a existência de tais partículas, e com as tais propriedades especiais, da mesma forma como, por exemplo, a Ciência material, hoje, busca medir a existência do Bóson Higgs. Por mais sensata seja a proposta do Bóson de Higgs para explicar a massa de todas as partículas de acordo com o chamado Modelo Padrão da Física de Partículas, sem a medida direta da sua existência, a teoria não é considerada 100% correta. A existência da massa das diversas partículas não serve de comprovação para a existência do bóson de Higgs. Essa falha, infelizmente, é cometida na Teoria Corpuscular do Espírito. A forma de demonstrar a existência de bíons, intelectons e perceptons foi proposta ser através da análise do comportamento complexo dos seres vivos. Na verdade, Hernani não percebeu que não se pode usar um fenômeno complexo para provar um postulado baseado no próprio fenômeno complexo.

A Ciência ainda não sabe descrever de modo completo o comportamento biológico e menos ainda psicológico dos seres. Mas isso não sugere que a solução está na definição simples da existência de partículas que tenham as funções que não sabemos descrever ainda! Em Ciência, partimos de poucas hipóteses fundamentais e com elas tentamos descobrir o comportamento de uma gama enorme de sistemas e materiais. O sucesso de novas teorias depende disso.


Tubo de raios catódicos

2) Que na Física a descoberta das partículas subatômicas decorreram de experimentos como, por exemplo, o de J. J. Thomson com tubos de raios catódicos, que permitiram descobrir os elétrons. Que experimentos poderiam demonstrar a existência de bíons, perceptons e intelectons individualmente? Que experimentos poderiam demonstrar que perceptons estão associados à percepção-memória e intelectons estão associados a inteligência nos seres vivos? Foram experimentos como o de Thomson que mostraram que a matéria é formada por partículas subatômicas, e não os fenômenos complexos em escala macroscópica! Além disso, ao elétron e ao próton não foram associados nada mais que propriedades de possuírem determinado valor de carga elétrica e massa que, por sua vez, foram medidas por experimentos. Já as propriedades complexas como energia de coesão, condutividades elétricas e térmicas, elasticidade e outras, são obtidas sem a necessidade de definir um quantum de cada uma dessas propriedades.

3) Outra falha dos fundamentos da teoria de Hernani consiste em não definir o significado dos quanta apresentados por ele. Por exemplo, ele diz na pág. 67 que:

“Esta expressão – quantum – é aqui tomada como constituindo a menor fração possível, tendo, porém, um valor constante, fixo e determinado para cada componente-tipo.”

Perguntamos o que entender por “menor fração possível”? Fração possível do quê? Valor constante e fixo de que quantidade? Em termos de quê? Em Física Quântica, um quantum é uma quantidade fixa numérica e bem definida [4]. Quando Planck propôs a quantização das trocas de energia entre radiação e matéria, ele analisou o espectro de radiação do corpo negro em termos de quantidades de energia proporcionais a kBT [4], onde kB é a constante de Boltzmann e T a temperatura do corpo. Quando Einstein propôs que a radiação era composta de partículas de luz, ou fótons, ele propôs uma forma quantitativa de mensurar a quantidade de energia de um fóton [4]. Mas na teoria de Hernani, quanto vale um quantum de percepção ou inteligência? Cremos poder responder essa última pergunta afirmando que não sendo material o objeto de estudo da teoria, que é o espírito, não se pode tratá-la de maneira material ou análoga à matéria. Como podemos ler nos seguintes comentários de Kardec após a questão 28 de O Livro dos Espíritos [5]:

Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. (...) Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. (...).(Grifos em negrito, meus).


Esse é um importante detalhe que precisa ser levado em conta em qualquer teoria para a interação espírito-matéria. Concluímos dessa parte da análise que os fundamentos da teoria de Hernani não possuem respaldo experimental direto.

No próximo post, continuaremos a análise dos fundamentos da Teoria Corpúscular do Espírito. No terceiro post realizaremos alguns comentários sobre a teoria do Psi Quântico [2].

 

Referências

[1] H. G. Andrade, A Teoria Corpuscular do Espírito, re-impresso pela Editora DIDIER, Votuporanga, (2007).
[2] H. G. Andrade, Psi Quântico - Uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do Espirito, 3ª edição, Editora Pensamento LTDA, São Paulo (1991).
[3] S. S. Chibeni, “O Espiritismo em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso”, Reformador Agosto, p. 37 (2003); Setembro, p. 38 (2003); Outubro, p. 39 (2003).
[4] R. Eisberg e R. Resnick, Física Quântica – Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e Partículas, Editora Campus, 21a. Reimpressão (1979).
[5] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, FEB, 1ª. edição, Rio de Janeiro (2006).


Notas

(1) As páginas citadas aqui se referem às edições usadas como referência. O leitor deve buscar procurar as páginas corretas nas edições anteriores ou posteriores

Fonte: http://eradoespirito.blogspot.com.br/2012/12/13-analise-de-teoria-corpuscular-do.html

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PARTE 2

2/3 - Análise de 'A Teoria Corpuscular do Espírito' e 'Psi quântico' (por Alexandre F. da Fonseca)


 

"Se é certo que a utopia da véspera se torna muitas vezes a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos."
Allan Kardec, Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo, "Dos Cismas"


- CONTINUAÇÃO DA PARTE 1 -

 

4) Outra falha de fundamentos é não discutir e descrever como tais quanta de percepção-memória e inteligência levam às propriedades dos seres vivos, ou mesmo do Espírito. Ter mais intelectons significa ter mais inteligência? Ter mais perceptons significa ter mais memória e percepção? Se o Espiritismo ensina que na medida que evoluímos, nosso perispírito se torna mais e mais sutil, nos tornando menos ligados à matéria, então deixamos de ter intelectons e perceptons, perdendo assim inteligência e percepção-memória? Na pág. 68, o autor afirma que:

“os atributos do espírito resultarão, dessa forma, das características de seus componentes, número, disposição e combinação, tal como observamos no caso da matéria...”.

Essa afirmação de Hernani deixa claro um caráter reducionista de sua proposta. Se “tal como observamos no caso da matéria” o que determina a forma, componentes, número e disposição das partículas nos átomos são forças cegas entre essas partículas, quer dizer que os atributos de inteligência e percepção-memória do espírito dependerão também de forças cegas? Os espiritualistas não criticam os materialistas por dizerem que a inteligência e o sentimento decorrem de componentes, disposição e número de partículas materiais que formam o cérebro e o corpo físico? Em que a teoria de Hernani difere das teorias materialistas? Esse tipo de contradição conceitual depõe contra a consistência interna da teoria. A intenção do autor foi boa mas, infelizmente, a forma de abordagem teórica é inconsistente com o Espiritismo.


5) Outro ponto fundamental da teoria de Hernani é a definição da partícula bíon. Sobre o bíon, é dito na pág. 69 que:

“O Bíon é a partícula correspondente à vida em si mesma, independente de prévia organização. É o agente vivificador da matéria.”

Essa afirmação contradiz a definição feita pelo próprio autor, na pág. 66 de [1], do conceito de vida como sendo “representada pela coordenação das atividades físicas, químicas e biológicas dos seres chamados vivos.” Essa definição de vida é puramente material e decorreu de observações do comportamento dos seres vivos. Ele afirma, porém, que sua causa (o bíon) não é material. Isso mostra que os conceitos estão definidos de forma incongruente entre si.


Problemas com conceitos de Física

As falhas apontadas acima decorrem de inconsistências internas da teoria com ela mesma ou com conceitos bem estabelecidos pelo Espiritismo. Porém, há também erros de Física, indicando que o autor aplicou alguns conceitos de maneira errada na teoria.

Na pág. 70, na seção intitulada “O “Bíon” e o “Campo Biomagnético” ou “Campo Vital”, do cap. II de [1], ao explicar ao leitor sobre o surgimento do campo magnético, o autor faz a seguinte afirmativa:

“A direção e o sentido deste campo são tais, que sua reação sobre a própria carga indutora tende a impedí-la de deslocar-se livremente.”

O autor faz referência à chamada lei de Biot e Savart, para a qual o campo magnético gerado pelo movimento de uma carga elétrica não afeta ela mesma [6]. Talvez a influência a que o autor se refere seja a chamada lei de Lenz [6], que diz que quando o fluxo de um campo magnético através de uma espira ou circuito fechado é feito variar, uma corrente ou movimento de cargas é induzido na espira de tal modo a gerar um campo magnético que se oponha à variação desse fluxo.

Outra possibilidade seria o efeito de irradiação eletromagnética de cargas aceleradas. Isso resultaria em perda de energia cinética, o que causaria alteração na trajetória da carga. Porém, isso seria mais um problema para a teoria de Hernani e não solução, pois o destino de uma carga elétrica em órbita circular em torno do núcleo seria cair sobre ele por causa da perda de energia devido à irradiação. Por essa razão, não se utiliza análise clássica para o magnetismo orbital dos elétrons. Porém, como não há no texto do autor nenhuma análise ou indicação mais segura sobre isso, a impressão que temos é que o autor tinha dificuldades com conceitos mais básicos de física.

Para a definição dos quanta de vida, percepção-memória-inteligência, a teoria atômica serviu de inspiração à teoria de Hernani. Porém, ele não aplica a teoria quântica de momentos angulares para analisar os momentos magnéticos orbitais, sejam eles de elétrons ou bíons, nem considera o spin dos mesmos. O autor considera toda a sua análise dos campos magnéticos de “modo clássico”. Não se pode usar conceitos quânticos numa parte da teoria e ignorá-los em outra parte. Isso torna a teoria de Hernani incoerente com os princípios da Física que ele se propõe a seguir.



Lei de Lenz

 


Nas páginas seguintes à pág. 70, o autor cita como base de argumentação para a necessidade de um campo organizador dos fenômenos biológicos, algumas referências da época como, por exemplo, comentários do Dr. Sinnott de que “A segunda lei da termodinâmica, o princípio da menor ação, é contrariado pela vida”. O que talvez Hernani não soubesse na época, e que enfraquece os pontos de apoio da sua teoria, foi o desenvolvimento da teoria da termodinâmica de sistemas fora do equilíbrio por Ilya Prigogine [7], que diz que sistemas abertos e longe do equilíbrio termodinâmico podem se auto-organizar e, portanto, são candidatos naturais para descrever sistemas biológicos (certamente sistemas vivos são abertos e longe do equilíbrio, mas nem todo sistema termodinâmico com essas características pode ser chamado de ‘vivo’). Considerar que os sistemas biológicos violam a 2ª lei da Termodinâmica é, hoje em dia, um erro conceitual.

Na seção intitulada “A Diafaneidade do Espírito”, do cap. IV de [1], na pág. 119 o autor afirma que:

“As formações espirituais simples são verdadeiros átomos espirituais. Todavia as distâncias entre o núcleo e os bíons devem ser muito maiores do que as distâncias que separam os elétrons dos respectivos núcleos no átomo físico. É esta uma condição necessária para que o espírito seja mais diáfano do que a matéria. Consequentemente, a velocidade dos bíons ao redor dos núcleos vem a ser também grande, ...” (Grifos em negrito, meus).

Na explicação acima, encontramos diversos problemas de natureza física e filosófica. Primeiro, a necessidade de impor aos bíons que circulem a distâncias maiores do núcleo do que os elétrons em torno dos núcleos materiais, para explicar a diafaneidade dos Espíritos, significa que bíons e elétrons, núcleos materiais e espirituais, não possuem naturezas diferentes: seriam ambos matéria tão densa uma quanto a outra. Isso mostra a oposição da teoria de Hernani ao que ensina o Espiritismo.




Modelos planetários atômicos.
Continuam sendo usados para ilustrar o átomo, mas são modelos ultrapassados.
Conceitos como velocidade e posição (que existem para planetas girando em torno do Sol) não existem para elétrons em torno do núcleo.


O segundo problema é de compreensão do significado do continuum espaço-tempo. De acordo com a Física [4], se a velocidade dos bíons tiver que ser maior que a velocidade dos elétrons nos átomos materiais, então ocorrerá com os átomos espirituais uma contração espacial resultante do continuum espaço-tempo, assim como ocorre com o átomo de mercúrio [8] cujos elétrons de valência são acelerados a velocidades maiores do que os elétrons de valência de outros metais, e por isso ocorre uma contração dos seus orbitais, e um enfraquecimento da força de interação entre os átomos de mercúrio, tornando-o líquido à temperatura ambiente. Como consequência disso, por se movimentar mais rápido, a trajetória do bíon em torno do núcleo espiritual será reduzida em tamanho, contradizendo a própria hipótese (colocada à mão) de que ela deve ser maior em tamanho e distância do que a dos átomos materiais. Esse é um erro de inconsistência interna que revela, no fundo, a precariedade da proposta de Hernani em explicar a diafaneidade dos Espíritos.

Na seção intitulada “Ação Mútua Entre Espírito e Matéria”, do cap. VI de [1], o autor faz o seguinte comentário:

“A vivificação da matéria depende da possibilidade de interação de dois campos. Um deles é o biomagnético, gerado pelo bíon. O outro seria o eletromagnético ... Para explicar o fenômeno, precisamos transpor algumas barreiras conceituais da própria Física, admitindo-se que o movimento dos elétrons, quando cobrindo uma superfície fechada em torno do núcleo, possa desenvolver um momento magnético perpendicular, ao mesmo tempo, aos três eixos cartesianos que definem um espaço físico. Este momento magnético originaria um campo atuando no hiperespaço. A presença de qualquer substância material suscitaria, como conseqüência, a manifestação deste tipo de campo orientado para uma das direções do hiperespaço.”
(Grifos em negrito, meus).

Aqui, há um erro que consideramos ser grave dentro dos métodos de trabalho da Física. Não se pode propor hipóteses que extrapolem conceitos bem estabelecidos sem bases experimentais! A importância da hipótese é diretamente proporcional à necessidade de respaldo experimental. Na ausência desta, a hipótese não tem valor científico, nem apoio da Física. Não se pode “transpor barreiras conceituais da Física” sem realizar um trabalho de demonstração experimental que sustente essa “transposição”. Exemplos: a proposta de quantização de Planck, além de bem explicada, permitiu ajustar com precisão matemática os dados experimentais para a radiação de um corpo negro [4]; a proposta de quantização da radiação eletromagnética permitiu Einstein explicar de modo muito simples o efeito fotoelétrico [4].

Há, porém, outro erro de natureza fundamental a respeito do significado do continuum espaço-tempo. A quarta dimensão não sendo espacial, nenhum campo magnético pode estar orientado na direção do tempo. Logo, essa proposta também é incoerente com a Física.


Divergências no conceito de alma

No fim do cap. VII de [1], o autor analisa o conceito de alma segundo sua teoria. Na seção intitulada “A Alma”, na pág. 291, ele diz:

“No caso do espírito encarnado, pode assinalar-se, do mesmo modo, a presença de um fluxo biomagnético atravessando o soma físico. Suas linhas de força estão dispostas de acordo com as vibrações do campo, as quais apresentam os delineamentos característicos dos tecidos orgânicos. Todas as minúcias das configurações moleculares protoplásmicas, celulares, fisiológicas, etc., acham-se estampadas no espectro biomagnético, formando uma duplicata biomagnética do corpo carnal. (...) Destruído o equipamento fisiológico, [...], cessam as manifestações do espectro. A duplicata biomagnética deixa de agir. A Teoria Corpuscular do Espírito reconhece como a alma a referida duplicata biomagnética acima descrita.” (Grifos em negrito, meus).


Esse conceito de alma da teoria de Hernani deixa claro como sua teoria está em desacordo com o Espiritismo. A alma, de acordo com o Espiritismo (itens 10 a 14 de O Que É O Espiritismo[9]), é o “princípio inteligente em que residem o pensamento, a vontade e o senso moral”. Logo, a alma não pode consistir de um campo biomagnético, pois campos magnéticos, segundo a Física, são efeitos da presença e movimento de cargas elétricas. O conceito de alma do Espiritismo está relacionado com o elemento inteligente do universo, que é aquilo que pensa e tem vontade e, portanto, não pode ser efeito da distribuição espacial e temporal de partículas, mesmo que espirituais.


Ilustração de uma 'estrutura do hiperespaço' usando as ideias de Hernani G. Andrade.
O eixo vertical é o tempo.


A discrepância entre a teoria de Hernani e o Espiritismo fica mais clara com as afirmativas contidas na pág. 292, de que a alma:

“surge juntamente com o corpo” e “se dissipa à medida que os veículos somáticos se desagregam;”.

Vê-se daí que essa teoria, além de se basear em premissas cientificamente erradas, destoa em suas consequências dos conceitos espíritas.

Continua no próximo e último post com análise de outra obra de Hernani G. Andrade: 'O Psi Quântico'.

 

Referências

 

[1] H. G. Andrade, A Teoria Corpuscular do Espírito, re-impresso pela Editora DIDIER, Votuporanga, (2007).
[2] H. G. Andrade, Psi Quântico, 3ª edição, Editora Pensamento LTDA, São Paulo (1991).
[3] S. S. Chibeni, “O Espiritismo em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso”,Reformador, Agosto, p. 37 (2003); Setembro, p. 38 (2003); Outubro, p. 39 (2003).
[4] R. Eisberg e R. Resnick, Física Quântica – Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e Partículas, Editora Campus, 21a. Reimpressão (1979).
[5] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, FEB, 1ª. edição, Rio de Janeiro (2006).
[6] D. Halliday, R. Resnick e J. Walker, Fundamentos da Física – Volume 3 – Eletromagnetismo, Editora LTC, 8a. Edição (2009).
[7] I. Prigogine, Introduction to Thermodynamics of Irreversible Processes. 3rd edition, Wiley Interscience, New York (1967).
[8] L. J. Norrby, "Why is mercury liquid? Or, why do relativistic effects not get into chemistry textbooks?" Journal of Chemical Education 68, 110 (1991).
[9] A. Kardec, O Que É O Espiritismo, Ed. FEB, 1ª Edição de bolso, Rio de Janeiro (2008).

Fonte: http://eradoespirito.blogspot.com.br/2012/12/23-analise-de-teoria-corpuscular-do.html


PARTE 3

3/3 - Análise de 'A Teoria Corpuscular do Espírito' e 'Psi quântico' (por Alexandre F. da Fonseca)


"Cada um é livre para encarar as coisas à sua maneira, e nós, que reclamamos essa liberdade para nós, não podemos recusá-la aos outros. Mas, do fato de que uma opinião seja livre, não se segue que não se possa discuti-la, examinar-lhe o forte e o fraco, pesar-lhe as vantagens ou os inconvenientes".
Allan Kardec - Revue Spirite -1866

Algumas observações nas bases de 'O Psi Quântico - Uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do espírito'


Ultima parte da sequência de três posts de Alexandre Fontes da Fonseca.


Vamos analisar agora alguns conceitos presentes na obra "Psi Quântico - Uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do Espírito" [2]. Ela inicia-se com uma interessante revisão de conceitos do átomo na antiguidade, passando pela descrição sucinta dos experimentos que levaram à descoberta da estrutura atômica da matéria. EM seguida, ao fim do capítulo II, Hernani comenta que irá se utilizar de modelos atômicos “... quando tentarmos abordar o problema da matéria psi.”. Por que o autor teria modificado sua ideia inicial de propor uma teoria corpuscular *do espírito* para, agora, descrever algo que ele chama de matéria psi? Estaria ele apenas mudando os nomes? Ou reviu sua ideia inicial e passou a considerar sua teoria como sendo para os fluidos espirituais? O capítulo III parece responder a essa questão. Na pág. 58, Hernani diz:

“À outra realidade demos o nome de mundo psi, em contraposição a esta nossa realidade que denominamos mundo físico (no sentido material normal). O mundo psi seria também material, porém constituído de outra espécie de matéria.”
(Grifos em negrito, meus).


Aparentemente, essa afirmativa parece se referir à parte fluídica do mundo espiritual. Infelizmente, porém, na página 97 ele diz que:

“... a matéria psi é a substância de que são feitos os Espíritos e demais seres ou objetos do mundo espiritual”. (Grifos em negrito, meus).

Essa afirmação suscita mais dúvidas do que certezas. Isso porque, se a matéria psi é a substância de que são feitos os Espíritos e os objetos do mundo espiritual, então, onde estaria o princípio inteligente? Uma única substância não poderia servir para os Espíritos e os objetos fluídicos ao mesmo tempo. Se a intenção era modelar apenas os fluidos espirituais, deveria ser dito que a teoria era para o perispírito, e não para o Espírito, que, de acordo com o Espiritismo, é um ser duplo, formado de Alma + Perispírito (itens 10 a 14 de O Que é o Espiritismo [9]). Como a teoria propõe que a Alma seja um campo magnético, então na prática a teoria está definindo o Espírito como sendo feito da mesma substância que os fluidos e, portanto, que o princípio inteligente é algo de natureza idêntica à material.


Capa de 'Psi Quântico'.



Por não diferir muito do que é apresentado na Teoria Corpuscular do Espírito [1], o Psi Quântico [2] apresenta as mesmas falhas comentadas nos dois posts anteriores. Em o Psi Quântico, observamos que para tentar relacionar a vida e os fenômenos espíritas com os fundamentos da teoria, Hernani define inúmeras propriedades ou atributos do ser inteligente de maneira ad hoc, isto é, colocados e forçados à mão para a finalidade da teoria, diferente das teorias científicas que partindo de um conjunto reduzido de princípios, deduzem e descrevem uma enorme gama de fenômenos. Essa falha conceitual torna sua teoria apenas um ensaio filosófico sem bases científicas reais, e com um sério problema de pretender atribuir ao Espírito propriedades que somente a matéria possui.

Contamos na obra [2] 14 hipóteses propostas de maneira ad hoc, isto é, colocadas à mão. Isso é um detalhe que enfraquece a teoria.

O cap. V de [2] é dedicado à apresentação do conceito de psiátomo. Neste capítulo, entretanto, encontramos uma afirmação contraditória. Na pág. 94 é dito que:

“Postulamos que as propriedades da matéria psi seriam decorrentes desse aumento no número de dimensões.”

Daí, Hernani enumera cinco propriedades da matéria psi:

“1) capacidade de vivificar a matéria física; 2) ser suscetível de sofrer a influência modeladora do pensamento organizado; 3) possuir um psiquismo latente e capaz de desenvolver-se por meio de uma auto-organização; 4) capacidade de transmitir, receber e acumular informação; 5) possibilidade de influenciar, de certa forma, a matéria física, emprestando-lhe algumas de suas propriedades.”

Hernani afirma que as propriedades da matéria psi decorrem do aumento do número de dimensões. Porém não explica como as propriedades de 1) a 5) decorrem do aumento do número de dimensões. A falta de explicação é um ponto fraco da teoria.

Na ausência de explicações para o primeiro postulado da teoria do Psi Quântico, podemos inferir que, na verdade, as cinco propriedades são os cinco primeiras hipóteses da teoria.

No cap. V de [2], na seção intitulada “Psipartículas”, lemos a sexta hipótese colocada à mão na teoria (pág. 95):

“Propomos admitir-se que as três propriedades comuns aos seres vivos, por nós escolhidas como fundamentais, possam manifestar-se em grandezas diversas, múltiplas inteiras de um quantum indivisível que seria a unidade básica de cada uma delas.”
(Grifo em negrito, meu).


Não havendo nada que justifique a quantização dessas propriedades comuns aos seres vivos, Hernani as apresenta como postulado. Há vários problemas nisso como comentado nas partes anteriores.

Na seção intitulada “O Bíon”, do cap. V de [2], na pág. 102, Hernani afirma:

“Visando a acompanhar mais de perto as convenções adotadas para as partículas subatômicas físicas, vamos atribuir também ao bíon uma carga negativa.”
(Grifos em negrito, meus).


Esta é a sétima hipótese. Como não há como verificar experimentalmente a existência de carga elétrica nas psipartículas, Hernani se vê obrigado a formulá-la como uma hipótese fundamental da teoria. Note a imprecisão e inconsistência da teoria ao perceber que as propriedades da matéria psi de 1) a 5), que foram postuladas no começo do cap. V, não decorrem somente da hipótese de que as psipartículas são quadridimensionais. Essas propriedades dependem diretamente dessas hipóteses adicionais feitas por Hernani.

Na mesma seção, Hernani apresenta sua oitava hipótese (pág. 103):

“Quando associados às estruturas psiatômicas, os bíons fazem parte das camadas externas dos átomos psi. Ali, eles se distribuem em regiões discretas, ocupando órbitas bem definidas, caso escolhamos um modelo para o psiátomo, semelhante ao de “Rutherford-Bohr”, a fim de descrevê-lo.”


Ilustração do 'psi-átomo' proposto por Hernani G. Andrade


Novamente, sem poder realizar qualquer experimento a respeito da estrutura atômica do psiátomo, o autor apresenta sua oitava hipótese como um postulado, que é a de que o psiátomo possui estrutura similar à de um átomo material. Ele faz a ressalva de que essa estrutura é quadridimensional. Porém, até o presente momento, Hernani ainda não afirma o que ele considera ser a quarta dimensão, se o tempo ou uma outra dimensão espacial. Se for espacial, antes de levar adiante a teoria, seria interessante verificar a existência de soluções da equação de onda da Mecânica Quântica para um sistema quadridimensional. Como deveria ser a interação de Coulomb para determinar os auto-estados do sistema? Como são os orbitais, e que valores teriam os momentos angulares? Na literatura acadêmica, há estudos que tentam descobrir os efeitos de se considerar mais uma dimensão do espaço (ver, por exemplo, artigo da Ref. [10]). Para que tudo ficasse consistente com o que é conhecido na matéria, seria necessário que houvesse um potencial 'infinito' que reduzisse a influência da 4a dimensão. A existência desse potencial ainda está para ser verificada, pois resultaria em efeitos bem definidos na matéria ordinária.

A nona hipótese da teoria do Psi Quântico (pág. 103) é:

“Na condição de correntes biônicas, os bíons produzem um campo de natureza magnética. É o campo biomagnético, semelhante ao campo magnético gerado por um ou mais elétrons em movimento. O campo biomagnético tem um papel proeminente no fenômeno da vivificação da matéria orgânica.”

Na incapacidade experimental de verificar a existência dos bíons e de seus campos magnéticos, eles têm que ser postulados. Isso mostra a insuficiência do primeiro postulado da teoria de Hernani que diz que a capacidade de vivificar a matéria, decorre apenas do aumento do número de dimensões. Isso é um exemplo de incoerência interna da teoria.

A décima hipótese da teoria (pág. 103):

“Postulamos, mais adiante, que os eléctrons, nas órbitas electrônicas do átomo físico, também podem gerar um campo biomagnético (CBM) dirigido para o hiperespaço. Desse modo se estabelece a interação entre os átomos físicos e os psiátomos.”


De novo, sem poder constatar experimentalmente a existência de bíons e a interação com elétrons, o autor introduz isso como mais um postulado. Se o elétron não puder interagir com o campo biomagnético, não haverá interação entre psiátomos e átomos.

O percepton é proposto de modo semelhante ao que foi apresentado na Teoria Corpuscular do Espírito. Porém, na descrição do Psi Quântico, encontramos mais uma hipótese colocada à mão (pág. 105), a décima primeira hipótese:

“O percepton teria também implicações com a função psi-gamma, ou seja, a percepção extra-sensorial (ESP).”

Para acomodar a teoria às novas observações da Parapsicologia, Hernani não consegue fugir ao artifício de acrescentar à mão mais propriedades que não pode mensurar.

Há um comentário no mínimo estranho, feito na pág. 106:

“O percepton deve ser receptivo a qualquer estímulo. Por isso, sua natureza energética precisa ser neutra. Em outras palavras, o percepton isoladamente é bioenergeticamente neutro.”

O que a neutralidade energética teria a ver com ser receptivo a qualquer estímulo? Acreditamos que o autor inverteu a lógica das coisas: pois um bom sensor é aquele capaz de interagir com qualquer tipo de estímulo externo, o que significa que o sensor é energeticamente ativo e influenciável. Um bom sensor tem que ser capaz de alterar seu estado físico para registrar a diferença devido ao registro do estímulo. Logo, ele não deve ser energeticamente neutro.

Ainda na seção sobre o percepton, na pág. 106, a décima segunda hipótese é apresentada:

“No entanto, devemos postular que ele possa ligar-se ao intelecton, para compor o núcleo do psiátomo. Esta ligação será análoga à que ocorre entre o nêutron e o próton ao formarem os núcleos dos átomos físicos.”

Se o percepton tem que ser bioenergeticamente neutro, então como ele pode interagir com o intelecton, que é bioenergeticamente ativo? (Ele tem carga bioenergetica positiva que atrai o bíon.) Essa é outra inconsistência interna não explicada nem resolvida pela teoria.

Na seção intitulada “O Intelecton”, pág. 106, vemos a décima terceira hipótese: “Postulamos atribuir ao intelecton uma carga bioenergética positiva.” Novamente, essa hipótese é introduzida à mão por falta de experimentos que revelem tanto a existência quanto as propriedades dos intelectons.


Incoerência de conceitos físicos


Na pág. 107, ao falar do “Modelo do Psiátomo”, Hernani diz que:

“As diferenças entre as psipartículas e as partículas físicas resultam sobretudo das propriedades oriundas do número de dimensões das mesmas. Essencialmente falando, a natureza íntima de todas as duas categorias de partículas é a mesma, ou seja, energia simplesmente. (...) Ao adquirir quatro dimensões, uma estrutura energética assume propriedades as mais inusitadas, entre as quais conhecemos algumas atribuídas aos objetos vivos, aos corpos espirituais, ou as observadas nos fenômenos paranormais.”
(Grifo em negrito, meu)


Se “essencialmente falando”, a natureza íntima de psipartículas e partículas é a mesma, então não deveria haver diferenças, ou as diferenças deveriam ser explicadas apenas em termos das energias ou dos possíveis estados de energia de cada partícula. Porém, não há nenhuma explicação em termos de energia, somente a afirmação de que “uma estrutura energética assume propriedades as mais inusitadas” ao se considerar mais dimensões. De um lado, essa afirmação pode ser verdade, porém, ao dizer que “conhecemos” essas propriedades inusitadas como sendo decorrentes da quarta dimensão, há um equívoco de informação. A única coisa que temos são indícios, através de fenômenos de materialização e de transporte, de que talvez exista uma quarta dimensão espacial que pode ser usada pelos Espíritos para executar esses fenômenos. Mas não sabemos o que acontece com as propriedades de um objeto físico quando se considera que ele é quadridimensional. Aliás, o fato de os Espíritos poderem mover um corpo através da quarta dimensão, provaria que qualquer objeto é, na verdade, quadridimensional e que apenas não é ordinariamente movido através da quarta dimensão.

 

Campo biomagnético - Décima quarta hipótese

Na seção intitulada “Conceito de Campo Biomagnético”, do cap. VI, na pág. 123 é dito que:

“Como explicamos no início deste subcapítulo, a principal característica do CBM é a sua possibilidade de transitar do espaço físico para o hiperespaço e, vice-versa, do hiperespaço para o espaço físico. Esta condição faz pressupor que o CBM possa ser também gerado pelos átomos da matéria física. Podemos postular esta circunstância, estabelecendo, portanto, que todos os átomos materiais possuem um campo de natureza magnética dirigido para o hiperespaço.” (Grifo em negrito, meu).

Mais uma hipótese colocada à mão. Interessante destacar aqui o comentário de Hernani a respeito da teoria de campos “M” e “B” de Wassermann. Iniciando na pág. 121, o autor comenta que:

“Enquanto Wassermann tenta aplicar os campos “M” e “B” a fenômenos puramente biológicos, ele parece estar razoavelmente correto. Mas as dificuldades surgem justamente quando se abordam os fenômenos psi. A aplicação da teoria torna-se difícil, exigindo um número muito grande de hipóteses ad hoc.” (Grifos em negrito, meus).


Aqui, o autor critica exatamente o que ele próprio faz ao apresentar uma série de hipóteses à mão. O termo ad hoc é uma expressão latina cuja tradução literal é "para isto" ou "para esta finalidade". Logo, uma hipótese ad hoc é uma hipótese colocada à mão para alguma finalidade explicativa.

 

Erros de Física 1: Força centrífuga


Na seção intitulada “O Magnetismo na Matéria”, do cap. VII, na pág. 134, Hernani afirma que:

“Focalizemos, agora, exclusivamente os átomos físicos, constituintes da nossa matéria física. Raciocinemos apoiados no modelo de Bohr. Neste modelo, os elétrons gravitam ao redor do núcleo. O núcleo tem cargas positivas que atraem os eléctrons. Estes se mantém afastados do núcleo; não caem sobre ele porque estão em movimento circular, mantendo-se em suas órbitas, como ocorre com os planetas, devido à força centrífuga.”(Grifos em negrito, meus).

Em nenhuma parte do modelo de Bohr, encontramos a afirmativa de que os elétrons não caem sobre os núcleos por causa de forças centrífugas. No caso de planetas, eles não se mantêm em suas órbitas por causa de forças centrífugas, mas por causa da resultante das forças gravitacionais serem do tipo centrípetas [11].


Ilustração da direção centrípeta da força gravitacional


Erros de Física 2: Tensionamento do átomo

Na seção intitulada “O CBM da Matéria”, Hernani afirma na pág. 139 que:

“Os eléctrons circulando ao redor do núcleo, equivalem a uma bobina esférica. Isto deverá provocar uma espécie de “pressão” magnética tensionando o átomo, de dentro para fora. O campo gerado nestas condições deverá achar-se no hiperespaço contíguo ao átomo. Nós não podemos detectar diretamente o referido campo, mas é provável que ele exista. O campo acima aludido está dirigido para a quarta dimensão e tem natureza magnética.” (Grifo em negrito, meu)


Elétrons circulando ao redor do núcleo não equivalem a uma bobina esférica. Isso porque, numa bobina esférica macroscópica, muitas cargas (elétrons) nela se movimentam, enquanto que um orbital eletrônico pode conter apenas dois elétrons (de spins diferentes). Cada elétron não pode gerar força sobre sua própria trajetória, pois, segundo a Mecânica Quântica, o auto-estado do elétron ou seu nível eletrônico depende do hamiltoniano do sistema completo formado por prótons e elétrons. O correto teria sido utilizar a análise oriunda da teoria quântica para momentos angulares, para descrever o magnetismo eletrônico. Nisso reside a falta de consistência na formulação da teoria de Hernani, pois se a quantização da vida foi uma proposta conveniente para a teoria, a aplicação da teoria quântica na descrição da dinâmica dessas partículas não deveria ter sido esquecida.

Dentre os possíveis estados quânticos devido ao movimento angular dos elétrons, existem quatro tipos de orbitais representados pelas letras s, p, d e f. O orbital tipo s é o mais simples e tem forma esférica. O orbital tipo p tem orientação ao longo de uma das direções do espaço, e os orbitais d e f possuem formas ainda mais complicadas. O orbital tipo s, por ter simetria esférica, corresponde a um valor total de momento angular nulo e, consequentemente, momento de dipolo magnético nulo. Os outros orbitais possuem momento total não nulo, mas se uma camada atômica estiver totalmente preenchida, a somatória vetorial dos momentos angulares será nula. Por isso que o campo magnético resultante da maioria dos elementos é nula.

É oportuno, aqui, mencionar algo a respeito da história do famoso experimento de Stern-Gerlach que é ensinado nos cursos de Física como aquele que demonstra a existência do spin do elétron [4]. Isso é correto, porém, na verdade, Stern e Gerlach não pretenderam demonstrar a existência do spin, já que isso não era conhecimento na época do experimento, dentre 1921 e 1922 [12]. Eles usaram feixes formados por átomos de prata na intenção de, no fundo, demonstrar o modelo atômico de Bohr que postulava a quantização do momento angular e, consequentemente, esperavam que o feixe de átomos de prata se dividisse em dois, como de fato ocorreu [12]. O que eles não sabiam, e que ficou claro posteriormente, é que, na verdade, o feixe de átomos de prata se dividiu em dois por causa do magnetismo associado ao spin do elétron de valência do mesmo. O átomo de prata possui 47 elétrons, de onde 46 formam camadas fechadas e completas, o que implica num momento angular total nulo. O último elétron que é o de valência, está no orbital 5s que, como dito acima, por ter simetria esférica, tem momento angular nulo. Logo, os efeitos magnéticos sobre os átomos de prata não podiam decorrer do magnetismo orbital, mas apenas do spin deste elétron. Isso mostra como não se pode inferir consequências sem uma análise completa de todas as propriedades e características do sistema físico em questão, e reforça o comentário de que sem levar em conta a quantização do momento angular, a análise das propriedades magnéticas de átomos materiais e espirituais da teoria de Hernani se torna incapaz de descrever a realidade.

Assim como os estados eletrônicos são soluções possíveis da equação de onda de Schrödinger [4], esses orbitais são todos estáveis e os elétrons, nesses estados, estão em equilíbrio, não se sentindo tensionados, nem implicando em tensionamento do espaço.


Concepção artística moderna das zonas de probabilidade de se encontrar um elétron ao redor do núcleo de um átomo (um exemplo de 'órbital atômico'. Essas 'núvens de probabilidade' nada tem a ver com órbitas definidas ao redor do núcleo que foram usadas em 'psi-quântico'.


Portanto, a analogia entre o campo gerado na terceira dimensão por uma espira de corrente no mundo bidimensional e o campo gerado na quarta dimensão por elétrons circulando ao redor do núcleo não é correta, nem serve de base para considerarmos a existência dos campos biomagnéticos. A única forma de comprovar isso seria medir a existência de campos biomagnéticos sem causa material, mas o próprio autor afirma que “nós não podemos detectar diretamente o referido campo”. Na falta de uma comprovação, mesmo que indireta, essa proposta teórica não tem utilidade.


Conceito 5. "Massa" do Espírito

No cap. VIII, na seção intitulada “Polarização Magnética da Psimatéria”, encontramos uma análise curiosa da densidade da psimatéria. Hernani, na pág. 148, estima valores dessa densidade com base em informações antigas de experimentos de pesagem de Espíritos durante o desencarne [13]. Ele encontrou valores da ordem de ~ 9 x 10-4 g/cm3, 10 vezes maior, portanto, que a densidade do hidrogênio, estimada em ~ 9 x 10-5 g/cm3.

Se a matéria psi tiver essa densidade, então independente da sua evolução, jamais um Espírito desencarnado pode se aproximar de uma estrela como o Sol, pois será capturado e preso pela sua enorme atração gravitacional. Essa ideia é mais um exemplo da diferença entre a teoria de Hernani e os princípios espíritas, que sustentam a independência entre o mundo espírita e o material.


Conclusões

O espaço não permite analisar todos os detalhes críticos de ambas as teorias, porém, citamos algumas que destacam a incapacidade dessas teorias para descrever a realidade espiritual do ser. Os pontos falhos são apenas com relação à teoria, enquanto que Hernani, autor das mesmas, continuará sempre merecendo nosso maior e profundo respeito pelo enorme trabalho de divulgação dos fenômenos espíritas, bem como na investigação de diversos deles.

Apenas frisamos que, se de um lado constatamos que as críticas ao Espiritismo carregam vieses pessoais e oriundos de visões materialistas da natureza, precisamos saber reconhecer os erros de teorias que saem às vezes de mãos e mentes espíritas, para que possamos dar um testemunho legítimo de fé raciocinada, isto é, de uma fé que tem consciência naquilo que crê e que é capaz de “encarar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade”.

 

Referências:


[1] H. G. Andrade, A Teoria Corpuscular do Espírito, re-impresso pela Editora DIDIER, Votuporanga, (2007).
[2] H. G. Andrade, Psi Quântico - Uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do Espirito, 3ª edição, Editora Pensamento LTDA, São Paulo (1991).
[3] S. S. Chibeni, “O Espiritismo em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso”, Reformador Agosto, p. 37 (2003); Setembro, p. 38 (2003); Outubro, p. 39 (2003).
[4] R. Eisberg e R. Resnick, Física Quântica – Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e Partículas, Editora Campus, 21a. Reimpressão (1979).
[5] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, FEB, 1ª. edição, Rio de Janeiro (2006).
[6] D. Halliday, R. Resnick e J. Walker, Fundamentos da Física – Volume 3 – Eletromagnetismo, Editora LTC, 8a. Edição (2009).
[7] I. Prigogine, Introduction to Thermodynamics of Irreversible Processes. 3rd edition, Wiley Interscience, New York (1967).
[8] L. J. Norrby, "Why is mercury liquid? Or, why do relativistic effects not get into chemistry textbooks?" Journal of Chemical Education, 68, 110 (1991).
[9] A. Kardec, O Que É O Espiritismo, Ed. FEB, 1ª Edição de bolso, Rio de Janeiro (2008).
[10] F. H. J. Cornish, "The hydrogen atom and the four-dimensional harmonic oscillator", Journal of Physics A: Mathematical and General, 17, 323 (1984).
[11] D. Halliday, R. Resnick e J. Walker, Fundamentos da Física – Volume 1 – Mecânica, Editora LTC, 8a. Edição (2009).
[12] G. G. Gomes e M. Pietrocola, “O experimento de Stern-Gerlach e o spin do elétron: um exemplo de quasi-história”, Revista Brasileira de Ensino de Física, 33, 2604 (2011).
[13] D. MacDougall, “Hypothesis Concerning Soul Substance, Together with Experimental Evidence of the Existence of Such Substance”, Journal of the American Society for Psychical Research, May (1907).



Fonte:
http://eradoespirito.blogspot.com.br/2013/01/33-analise-de-teoria-corpuscular-do.html






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