Marcus Vinícius de Azevedo Braga

>    Música para ouvir e música para se cantar junto

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Marcus Vinícius de Azevedo Braga
>    Música para ouvir e música para se cantar junto

 

 

A música é uma das formas de arte mais difundida no contexto atual. Arrasta multidões... Quem não gosta de uma boa música? Ouvimos música no carro, em casa, na festa, para meditarmos, para dormirmos e até cantamos no chuveiro. A música faz parte da nossa vida como expressão cultural.

No campo religioso não é diferente. As religiões, de diversas matrizes – africana, oriental, cristã –, todas, de um modo geral, utilizam cânticos, hinos, mantras e instrumentos musicais em suas práticas e cerimônias. Nesse sentido, a prática religiosa espírita também é rica em expressões musicais, principalmente nas atividades ligadas a infância e juventude.

Nas atividades espíritas utilizamos a música em diversos momentos: encontro de jovens, para a sensibilização antes da prece ou do passe. A música serve também como recurso didático em nossas aulas ou, ainda, como expressão artística para apreciação pelo público, tratando as temáticas afetas ao Espiritismo, não com o sentido de isolar o espírita do mundo e sim como forma de expressão religiosa. Entendo que a música espírita não implica necessariamente que os espíritas devam somente ouvir esse tipo de música, isolados do mundo e de todos, como um monge da idade média.

Falamos de música espírita. O que é música espírita? A feita por espíritas? A feita para espíritas? Com conteúdos espíritas? Toda classificação é falha e incompleta, ainda que tenhamos essa necessidade eterna de rotular. Entendo a música espírita como aquela que nós utilizamos em nossas práticas de religiosidade, com conteúdo coerente e consoante com nossos ideais e nossa visão de mundo.

Já que falamos de classificações, as músicas são diversas, por ritmo, estilo etc. Nesse breve artigo dividiremos a música utilizada na prática espírita em dois tipos: música para ouvir e música para se cantar junto.

Música espírita para ouvir é quando em auditórios, teatros e eventos, nos sentamos para apreciar uma apresentação musical. Compramos CDs, colocamos no nosso carro e ouvimos, meditando e viajando no pensamento por aquelas ondas musicais.

A música para cantar junto é aquela que cantamos em coral, é quando na abertura das atividades, com a letra projetada na parede, cantamos em um quase uníssono, às vezes meio desafinados, buscando em uma só voz elevar o nosso pensamento.

O leitor já percebeu que a mesma música pode se encaixar nas duas classificações. Não é essa uma tipologia de músicas e, sim, da nossa postura diante da música. Um paradigma se caracteriza, com as devidas proporções, a uma postura de consumo da música. O outro se apresenta em uma vivência mais participativa. São classificações de abordagens necessárias ao seu momento e que por vezes se confundem e entrelaçam. Existem momentos que precisamos de uma interação mais passiva, de audição. Em outros, nos empolgamos, queremos dar as mãos, nos abraçamos e cantamos juntos.

A questão crucial dessa discussão é que por vezes, pela força dos modernos equipamentos e instrumentos, das bandas organizadas, da difusão de internet das músicas, relevamos a importância das interações participativas. Para além dos estúdios e dos shows, devemos sempre propiciar ao jovem o canto "ao pé da fogueira", como elemento de coesão do grupo. Afinal, nada substitui o grupo, como elemento vivo e pulsante em cada acorde de canção.

Por isso, ainda que tenhamos na música para ouvir excelente instrumento de sensibilização, de meditação e como recurso didático, na prática das juventudes espíritas não podemos esquecer a força de se participar de um coral ou ainda aqueles momentos em que a música nos enlaça, no canto uníssono. O discurso da qualidade musical, da técnica não pode suplantar a força agregadora da música, como visgo que une corações e mentes.

 

 

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano5/222/marcus_braga.html

 

 


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