Rita Amaral

>    O tempo de festa é sempre

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(trecho inicial)

 

A vida nas cidades freqüentemente é apontada como a fonte da maioria dos males sociais como a violência, a pobreza, os desvios comportamentais, as neuroses etc. Na cidade os homens se sentiriam solitários, massificados, tratados pelas instituições como meros números, sem identidade pessoal. Na cidade até o tempo perderia o sentido, pois seria sempre pensado como o tempo do trabalho, sendo o descanso dos finais semana apenas um "intervalo" entre dois períodos de produção, um tempo reservado à reprodução da força de trabalho, e que os trabalhadores não teriam condições de desfrutar como lazer devido à falta de recursos, oportunidades ou mesmo disposição. Por isto o tempo não faria sentido, apenas passaria, levando consigo a vida dos homens, especialmente se estes homens são pobres, pouco escolarizados, migrantes, com um gosto próprio em relação ao lazer.

Basta, no entanto, nos determos para observar mais atentamente os inúmeros grupos que vivem na cidade para constatarmos que a verdade não é bem essa. Os grupos se organizam em torno de atividades e objetivos comuns, muitas vezes lúdicos, que proporcionam não apenas relações sociais mais diretas, mais afetivas (correspondendo às necessidades de sociabilidade, parceiros, companhia, enriquecimento da experiência pessoal), como também organizam, de modo sensível, a passagem, do tempo. Esta passagem é marcada através de idas ao futebol, à praia, aos ensaios das escolas de samba, aos cultos religiosos, bailes, forrós etc. Para uma população pobre, migrante, todas estas atividades implicam a organização dos indivíduos em termos de tempo disponível e do dinheiro necessário para sua realização, ocupando o pensamento das pessoas de modo significativo e dando sentido ao trabalho (pois é o trabalho que proporciona os recursos para a participação nos grupos) e à própria vida como fonte de prazer.

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Publicado originalmente em TRAVESSIA. Revista do Migrante no. 15, janeiro/abril, Centro de Estudos Migratórios - CEM, São Paulo, 1993

Rita Amaral é antropóloga do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, doutora em antropologia social, Ph.D em etnologia afro-brasileira pela USP

 

Fonte: http://www.n-a-u.org/Amaral-povodefesta.html

 

 

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